Brasília-DF,
19/JUN/2018

Projeto recebe grandes nomes para comemorar um século do samba

Série mostrará diferentes vertentes do gênero em quatro shows

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Irlam Rocha Lima Publicação:12/02/2016 07:30Atualização:12/02/2016 10:48

Cantor Jards Macalé
Cantor Jards Macalé

 

Ecos do carnaval que se espalharam pelos quatro cantos da cidade até terça-feira continuam reverberando. De hoje a segunda-feira, o teatro do Centro Cultural Banco do Brasil vai ser palco da celebração do centenário do nosso ritmo mais tradicional ao receber o projeto O século do samba.


Idealizada e dirigida por Luís Filipe de Lima, a série vai mostrar diferentes vertentes do gênero em quatro shows. Na abertura hoje, às 21h, Jards Macalé e Pedro Luís apresentam Samba de breque e outras bossas. Na sequência, amanhã, no mesmo horário o duo Prettos e o cantor e compositor João Martins fazem o Samba novo; e domingo, às 20h, Monarco e Nei Lopes atacam de Terreiro e carnaval.


Lecy Brandão e Tantinho da Mangueira fecham a programação com Partido-alto, samba de fato. Os cantores têm a companhia da banda formada por Alceu Maia (cavaquinho), Thiago da Serrinha, Paulino Dias e Cláudio Brito (percussão) e Dirceu Leite (sopros).

Duas perguntas Luís Filipe de Lima

Quantos projetos que tem o samba como foco você já realizou?


Dos 15 que idealizei e levei a teatros do CCBB, 14 foram sobre samba. Nada mais natural que na comemoração do centenário do gênero eu voltasse ao tema, até porque há duas décadas venho atuando na área.


Que importância você atribui ao samba, dentro do amplo universo da MPB?


O samba, como ritmo e expressão musical, está na base da identidade cultural brasileira. No projeto O século do samba busco mostrar a diversidade do gênero, com a participação de artistas de diferentes estilos e gerações.

 (Marcia Moreira/Divulgacao)
Entrevista Nei Lopes

Gênero seminal da música popular brasileira, base da identidade cultural do país, o samba tem ocupado o lugar que merece nesses 100 anos de existência?
Eu não me canso de dizer que o Samba é a eterna vítima de um processo de espoliação covarde. Deixo aqui uma pergunta cuja resposta esclarece bem o que quero dizer: quando alguma produção abriria lugar para o Samba num festival de rock ( e o rock comeu solto em alguns camarotes do sambódromo este ano). Quando o Festival de Barretos faria uma homenagem ao Samba? ( E os "filhos de Francisco" foram enredo na Sapucaí este ano). Isso é covardia!

Há, no seu entendimento, um equilíbrio entre a tradição e a modernidade?
O samba é a mais perfeita tradução desse equilíbrio. João Gilberto sempre cantou sambas tradicionais, como os de Wilson Batista e Geraldo Pereira. Como Seu Jorge e Pretinho da Serrinha, por exemplo, são tambem uma outra faceta desse equilíbrio.


Isso é salutar?
Mais salutar do que a Água Mineral Salutaris. Que eu não sei se ainda existe.

O Século do Samba, série que estreia na próxima sexta-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília é um painel representativo da diversidade do gênero -- ao contar com nomes históricos e novos valores entre os participantes?
É uma tentativa, dentro do possível. A diversidade do samba é tão grande, mas tão grande, que, para mostrá-la toda precisaríamos de um espetáculo com centenas de artistas, cantando sem parar durante vários  meses

Você, salgueirense, a abre o projeto ao lado do portelense Monarco. Há identificação musical entre vocês? E com os mangueirenses Tantinho e Leci Brandão?
Só as cores é que diferem. E um pouquinho do repertório também. Cada uma escola tem seu estilo.

Como vê o samba feito por Macalé e Pedro Luís?
O Macalé é excelente músico e um cara engraçado. E o Pedro Luís eu conheço mais (pela imprensa) como chefe do Monobloco. Mas deve dar um show legal.


Que referências tem de novos João Martins e dos integrantes do duo Prettos?
Os Prettos são remanecescentes do Quinteto em Branco e Preto, cujo  fim eu lamentei muito. São muito bons sambistas e inclusive meus parceiros. João Martins, filho do Wanderson, um bamba do cavaquinho, tem uma obra autoral muito interessante, onde se destacam as referências aos orixás do candomblé e da umbanda. E eu gosto disso no samba.

Que serviço imagina está prestando à memória cultural do país, com o lançamento do Dicionário da História Social do Samba, que screveu com Luiz Antônio Simas?
Eu estou fazendo a minha parte.

O salgueirense Nei Lopes se distanciou do carnaval. Há alguma razão mais forte para essa decisão?
Pra se gostar de Samba não é necessário gostar de carnaval. Todo mundo sabe que o carnaval foi o espaço que o Samba encontrou para legitimar as comunidades onde nasceu.  Hoje, as escolas de samba são vitrines mercadológicas. Então, eu prefiro analisar os fenômenos que cercam tudo isso. Analisar, escrever e publicar, para memória futura. Sem "futurologismos".


SERVIÇO

O século do samba
Shows hoje e amanhã, às 21h; e domingo e segunda-feira, às 20h, no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Sul). Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia- entrada). Classificação indicativa livre. Informações: 3108-7600.

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