Brasília-DF,
20/JUL/2018

Performance 'Camboatá' valoriza cantigas de capoeira

Naiara Lira, idealizadora do projeto, homenageia mulheres negras

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Adriana Izel Publicação:26/02/2016 06:00
O trio formado por Mabô, Leticia Nascimento e Naiara Lira dá vida às personagens em Camboatá (Facebook/Reprodução)
O trio formado por Mabô, Leticia Nascimento e Naiara Lira dá vida às personagens em Camboatá

Música, dança e poesia se unem na performance Camboatá, amanhã, às 21h, com apresentação única no Clube do Choro. O projeto surgiu em 2014 e foi idealizado pela cantora e compositora Naiara Lira, que decidiu valorizar cantigas de capoeira e ainda homenagear as mulheres negras. Dessa forma, o projeto musical reúne cantigas da capoeira que falem sobre força, beleza, sabedoria, mulher, negritude, e, claro, capoeira.
 
Duas experiências levaram Naiara a criar o projeto: uma delas na Suécia e outra no Brasil. “Eu cantei uma cantiga e as pessoas ficaram em silêncio, e aquilo foi lindo. A capoeira é muito carente dessa parte musical, de elaborar mais a música. E esse projeto faz isso”, defende Naiara Lira.
 
Esta é a primeira apresentação oficial do projeto musical no Brasil. “Estou muito nervosa. Eu me emociono várias vezes nos ensaios. É um projeto lindo e feito com muito amor para homenagear as grandes guerreiras e à cultura negra”, completa Leticia.
 
Duas perguntas // Naiara Lima, idealizadora do projeto

Como surgiu a ideia de criar o Camboatá?
Viajo e me apresento bastante fora do Brasil. Quando eu estava no leste europeu, estava numa praia e tinha uma roda de capoeira. Naquela época eu não sabia cantar as cantigas de capoeira e voltei com isso na cabeça. No ano seguinte, fui lançar um disco na Sérvia e um mestre dinamarquês de capoeira pediu que ensinasse cantigas brasileiras. Quando comecei a cantar, tudo mundo parou para me ouvir. Ficaram sentados em silêncio, de olhos fechados. Voltei para o Brasil pensando que queria fazer um projeto para cantigas, mas a ideia inicial era fazer algo para gringos. Mas durante uma cerimônia de mestres em Brasília, eu fiz uma composição de uma cantiga para apresentar na graduação e a reação foi a mesma lá da Europa: as pessoas ficaram em silêncio e emocionadas. Então quis fazer o projeto, até porque a capoeira é carente dessa parte musical.

Como é a dinâmica do Camboatá?
Eu queria algo apenas com mulheres e negras. Montei um repertório com cantigas que representassem a força, a beleza e a sabedoria, porque tem muita cantiga machista e racista. O espetáculo tem três mulheres que são cantadas em muitas cantigas. A Dona Maria Camboatá, que representa a força. A Salomé que foi uma capoeirista que representa a sabedoria e a Aidê, uma negra africana que tinha magia no cantar e representa essa liberdade da mulher.
 
 
SERVIÇO
Camboatá

Clube do Choro (SDC, Bl. G; 3224-0599). Amanhã, às 21h, apresentação do projeto Camboatá com Naiara Lira, Mabô Borges e Leticia Nascimento. Abertura com Débora Valente. Ingressos a R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30. Não recomendado para menores de 14 anos.

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