Brasília-DF,
11/DEZ/2018

Diretor Graça Veloso constrói peça a partir da canção 'Mané Tibiriçá', da dupla Moreno & Moreninho

Espetáculo 'O milagre do santo novo' encerra trilogia sobre a cultura tradicional do Centro-Oeste brasileiro

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Diego Ponce de Leon Publicação:17/06/2016 06:09Atualização:23/06/2016 11:00

Peça fala sobre tradições religiosas da região  (Vagner Ramos / Divulgação )
Peça fala sobre tradições religiosas da região

Foram 13 anos desde a estreia do último trabalho da Cia. dos Homens voltado para a representação da cultura tradicional que habita a região Centro-Oeste do país. Em O milagre do santo novo, o diretor e professor da UnB Graça Veloso encerra uma trilogia disposta a carregar o espectador brasiliense para as tradições populares do interior.

Uma realidade tão próxima fisicamente, mas tão distante de quem encara o cotidiano administrativo, cosmopolita e mundano da capital federal. Temas regionalistas que permearam as obras Benedito (1998), Inderna de Intão (2003) e, agora, O milagre do santo novo. O atual espetáculo joga luz sobre as peregrinações religiosas, assim como sobre as adorações a santos, que marcam os hábitos culturais, religiosos e folclóricos de pequenas cidades.

“A peça tem um compromisso muito profundo com as ressignificações do sagrado na contemporaneidade e com as minhas buscas por uma interpretação cênica mais próxima de nossas manifestações expressivas tradicionais. São essas manifestações as matrizes estéticas de todas as minhas investigações, tanto acadêmicas quanto cênicas”, afirma o diretor Graça Veloso, um dos mais respeitados nomes do Departamento de Artes Cênicas da UnB.

Por conta do compromisso com a universidade, das pesquisas, livros e artigos, lá se foram 13 anos desde a estreia do espetáculo anterior sobre a mesma temática. “Tive um aspecto muito negativo com essa demora: o distanciamento do mercado teatral. Por outro lado, um aspecto positivo: o compromisso com a pesquisa”, conta Veloso. Resta saber se a obra está à altura da delonga. Considerando os envolvidos, tudo leva a crer que sim.

Duas perguntas // Rafael Tursi

Pode nos contar um pouco sobre o propósito por trás desse espetáculo, ou da trilogia em si?

Diria que a trilogia em si trata do resgate de tradições rurais para a cena, através de elementos cênicos simbolistas e gestuais. Em O milagre do santo novo, por exemplo, vemos muito forte a presença de elementos religiosos no cotidiano da história das personagens, sem entrarmos no debater dos aspectos positivos ou negativos. São narrativas que apresentam um outro Brasil, diferente daquele que encontramos nas capitais.

O professor Graça Veloso se destaca pelas intervenções e pesquisas na academia. Enquanto diretor, como o definiria?
Graça é o tipo de diretor que sabe ser parceiro do ator e jogar junto. Alguém que propõe o que quer em cena e nos abre espaço para, com nossas habilidades e peculiaridades cênicas, criarmos em cima das informações dadas. O Graça é muito preciso nos detalhes, além de não se colocar jamais como único responsável por conseguirmos ou não isso. Ele sabe tecer essa rede e, aí, cada um de nós amarra os nós.

SERVIÇO


O milagre do santo novo

Concepção e direção de Graça Veloso. Com Fernando Fernandes, Fernando Lucas, Rafael Tursi e Timótheo Porto. Espaço Cena (205 Norte). Hoje e amanhã, às 21h, e domingo, às 20h. Ingressos a R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Não recomendados para menores de 14 anos.

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