Brasília-DF,
20/SET/2018

Com texto de Tennessee Williams, peça traz Bárbara Paz à frente do elenco

Clássico do teatro mundial entra em cartaz no CCBB

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Rebeca Oliveira Publicação:09/09/2016 07:00Atualização:09/09/2016 10:17
Texto clássico de Tennessee Williams conversa com o Brasil dos anos 2016 (Ronaldo Gutierrez/Divulgação)
Texto clássico de Tennessee Williams conversa com o Brasil dos anos 2016
 
Clássico americano do irrepreensível dramaturgo Tennessee Williams (considerado o Shakespeare da década de 1950), Gata em telhado de zinco quente tem em Maggie a personagem de maior destaque. Sexy, pragmática, amarga, frustrada, incendiária. 

O papel de muitos tons emocionais permitiu que várias atrizes tivessem nele uma posição de destaque. Foi assim quando o drama familiar ambientado no sul dos Estados Unidos marcado por uma economia escravocrata foi levado para o cinema pelo diretor Richard Brooks. 

Elizabeth Taylor recebeu uma indicação ao Oscar pelo papel. A cena se repetiu dezenas de anos depois, quando Scarlett Johansson se reinventou ao encarná-lo em elogiado espetáculo da Broadway.

A grande exposição da personagem não intimidou a atriz Bárbara Paz, que reapresenta Maggie ao público brasiliense em versão do brasileiro Eduardo Tolentino. A estreia acontece amanhã e a temporada, longa para os padrões da capital, segue até 9 de outubro no CCBB. 
 
Mais que desafiá-la, viver a mulher que luta pelo amor do marido (Brick, encenado por Augusto Zacchi) e pela herança do sogro, Paizão (Zécarlos Machado) é, sem medo de esbarrar no clichê, a concretização de um sonho antigo da intérprete, que se diz “fascinada pelo texto”.

A entrega foi recompensada. Ainda em turnê, a gaúcha foi indicada ao prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) como melhor atriz no começo de agosto. Em cena, Bárbara Paz é acompanhada, além de Augusto e Zécarlos, por Fernanda Viacara (Mae), Noemi Marinho (Mãezona) e André Garolli (Gooper), que completam a família Pollitt. A sintonia arrebatadora do time foi elogiada nos palcos por onde passaram.

Com o patriarca fazendo aniversário e, dualmente, prestes a morrer, dramas afetivos se interseccionam no enredo pontuado por pautas que, apesar de escritas no século passado, ainda provocam, instigam e dialogam com dilemas contemporâneos.

A peça também marca a estreia da jornalista de moda Gloria Kalil nos figurinos, com toques retrô.

Duas perguntas Bárbara Paz

O texto de Tennessee Williams data do século passado mas continua atual por abordar assuntos que, ainda hoje, são feridas abertas. O que os Estados Unidos de 1955 têm a dizer ao Brasil de 2016? 

Passou tanto tempo e os dilemas continuam os mesmos. A classe dominante e a disputa pelo poder, a inveja e o dinheiro corrompendo o ser humano, a doença, a morte e, finalmente, o amor.

A parceria entre você e Eduardo Tolentino é de longa data. O que essa intimidade confere de diferente ao trabalho? 

Intimidade é algo que se conquista com tempo. Por isso é tão bom trabalhar com pessoas que gostam e conhecem bem de perto nosso trabalho, nossa entrega. O teatro é do ator. O diretor nos prepara até abrir a jaula. Depois, estamos soltos feito bichos, descobrindo algo novo a cada dia.

SERVIÇO
Gata em telhado de zinco quente
Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Esportivos Sul, Tc. 2). Com o grupo Tapa. Amanhã, às 20h; e domingo, às 19h. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia), à venda no site Up Ingressos e na bilheteria do CCBB. Não recomendado para menores de 14 anos.

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