Brasília-DF,
18/SET/2018

Espetáculo dirigido por Jô Soares mostra troca de confidências entre Freud e Dalí

'É uma delícia entrar em cena com personagem tão complexo', conta Pedro Paulo Rangel, amigo de Jô Soares desde a década de 1960

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Rebeca Oliveira Publicação:16/09/2016 07:00Atualização:16/09/2016 10:40
Cassio Scapin e Pedro Paulo Rangel vivem dois gênios no palco (Priscila Prade/Divulgação )
Cassio Scapin e Pedro Paulo Rangel vivem dois gênios no palco
 
 
O que aconteceu quando Sigmund Freud (1856-1939), pai da psicanálise, se reuniu com Salvador Dalí (1904-1989), mestre do surrealismo? A resposta criativa vem em forma de Histeria, texto premiado internacionalmente de autoria do dramaturgo britânico Terry Johnson e remonta, com toques de fantasia, o dia em que Dalí visitou Freud em seu consultório em Londres, no ano de 1938. A versão apresentada na capital é a adaptação do escritor e apresentador Jô Soares.
 
Cassio Scapin vive o artista de pinceladas icônicas, enquanto Pedro Paulo Rangel interpreta o psicanalista mais famoso da história. No elenco também estão os atores Érica Montanheiro e Milton Levy. O diferencial da trama são os vários tons pelos quais circula: a interpretação dos atores vai da comédia ao drama em fração de segundos, enquanto o texto passeia por uma narrativa ora fantástica, ora realista.
 
“É uma delícia entrar em cena com personagem tão complexo”, conta Pedro Paulo Rangel, amigo de Jô Soares desde a década de 1960, e que tem na semelhança física com o pensador  um ponto favorável que também se repete em Scapin.
 
“A reação do público é excelente. É uma comédia escrachada que, ao mesmo tempo, trata do tema sério que é a histeria. Freud estava doente, com câncer terminal, fugia do nazismo e encontra Dalí, um fã de seus escritos. O autor coloca esses extremos de maneira inteligente”, adianta o ator.

Três perguntas para Pedro Paulo Rangel

Jô Soares já dirigiu grandes atores, como Bibi Ferreira. Como é estar nas mãos de figura tão conhecida e experiente?
Ele sabe exatamente o que quer. Logo na primeira leitura mostra a visão de cada personagem e pede para que façam daquela maneira. No entanto, de forma alguma isso se dá de forma ditatorial ou impositiva. Ele está aberto a qualquer tipo de sugestão de quem tenha uma visão diferente. Ele é maleável, aceita sugestões, mas ao mesmo tempo é determinado, consistente, bem informado. A tradução e a adaptação são dele, por isso, maneja o espetáculo com muita segurança.

Você entrou como protagonista dias antes da estreia em  São Paulo. Como contornou esse desafio?
Sou amigo do Jô Soares há muitos anos. Nos conhecemos em 1969 e trabalhamos juntos diversas vezes. Ele tinha me convidado para fazer a peça, mas em um outro papel. Não pude aceitar porque estava filmando um seriado para a Fox, uma comédia chamada Prata da casa, com direção de André Pellenz. Não dava para conciliar as duas coisas, ensaiar e fazer a gravação. O ator que fazia Freud teve um problema de saúde. Duas semanas antes da estreia, Jô me ligou perguntando se eu aceitaria o desafio de pegar um papel como esse em pouquíssimo tempo de ensaio.

E o que você fez?
Disse que faria tudo por ele, topei e tive ajuda de todos os colegas de elenco e dele, é claro. Foi difícil no início pois não participei da construção do personagem, o que dá solidez. Inseri-me no que estava pronto da melhor maneira que pude. A partir do momento que a peça estreou, fomos nos afinando. Ela é um sucesso desde o primeiro dia, fato raro porque, nas artes cênicas, o reconhecimento se faz aos poucos. Com Histeria foi diferente: tivemos casa lotada desde o primeiro dia.

SERVIÇO
Histeria
Teatro da Unip (913 sul, Conj. B; 3522-9521). Amanhã, às 21h; e domingo, às 20h . Ingressos a R$ 120 e R$ 60 (meia), à venda no site www.bilheteriadigital.com, nas lojas Koni e na Academia Premiére Fitness . Assinantes do Correio pagam meia. Não recomendado para menores de 14 anos.



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