Brasília-DF,
18/AGO/2017

'Uma criatura dócil' aborda a importância da comunicação nos relacionamentos

Baseado em romance de Dostoiévski, a peça mostra um homem egocêntrico que busca entender as causas da morte da esposa

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Rebeca Oliveira Publicação:09/12/2016 06:49Atualização:09/12/2016 14:04
A adaptação teatral está em cartaz no Teatro Eva Hertz, na Livraria Cultura do Iguatemi ( Tamara Habka/Divulgação)
A adaptação teatral está em cartaz no Teatro Eva Hertz, na Livraria Cultura do Iguatemi

“Os homens estão sozinhos, rodeados pelo silêncio”. A sentença, registrada por Fiódor Dostoiévski, pontua parte da narrativa de Uma criatura dócil, adaptação teatral de romance homônimo em cartaz no Teatro Eva Hertz, na Livraria Cultura do Iguatemi. A peça remonta a história de um marido egocêntrico que tenta entender as causas da morte da jovem esposa.
 
Autor de romances grandiosos, quando escreveu Uma criatura dócil Dostoiévski já era amplamente conhecido por obras como Crime e castigo e Os irmãos Karamazov. Justamente por isso, conseguiu resumir em poucas páginas a capacidade humana de se enclausurar nos próprios dilemas. Essa dificuldade na comunicação em relacionamentos é explorada no monólogo, que marca a estreia de Claudine Duarte na direção.
 
Ela conta com a supervisão dramatúrgica de Eva Leones e um time de peso na ficha técnica, recheada de talentos brasilienses, como Abaetê Queiroz no desenho de luz e os músicos Guilherme Cobelo (da banda Joe Silhueta, recentemente indicada ao prêmio da Associação Paulsita de Críticos de Arte pelo disco Dylanescas) e Lucas Muniz na trilha sonora. “Eles produziram um EP da trilha que em breve poderá ser ouvido na internet”, adianta Claudine.
 
Assinado por Nina Maria, o cenário é onírico e não realista. O figurino, por sua vez, faz homenagem à época e ao ano de lançamento do livro, datado de 1876. “A reunião de tanta gente boa da cidade foi sorte, se é que se pode dizer que sorte existe. A primeira vez que li a obra foi em 2003. Enxergava no palco, apesar de não ter nenhuma ligação com o teatro, apenas como espectadora. E via o Arthur Tadeu Curado nele”, relembra Duarte.


Duas perguntas // Claudine Duarte 
O livro Uma criatura dócil permite várias leituras. Qual será abordada no espetáculo? 
Optamos por abordar as dificuldades de ambos — marido e mulher — na relação. Isso está muito atual, mesmo com tudo que temos no âmbito da tecnologia, ainda permanecemos com questões produzindo abismos entre um e o outro. Lembrava-me de algumas vezes que ia a restaurantes e olhava para alguns casais que se sentavam, comiam e não trocavam uma palavra. Chamo isso de “mortos que jantam”. É um retrato triste. As pessoas são atraídas pela tela do celular, ficam lado a lado, olhando para aquela luz, se conectando com pessoas distantes...

A discussão entre quem é o “dócil”, marido ou mulher, entra em cena?
Tratamos de um personagem no palco, o marido. Tentamos optar pela fidelidade à história, pela cronologia em que ele narra a história no original. Quem conhece a obra vai conseguir sentir bastante similaridade nesse processo. Existem várias leituras, inclusive as que julgam que a criatura dócil é ele, por sua própria solidão, dificuldades, limites. Não vamos forçar nenhum delas. Essa observação é da plateia


Serviço
Uma criatura dócil 
Hoje e amanhã, às 20h; e domingo, às 18h, no Teatro Eva Herz (Livraria Cultura, Shopping Iguatemi, CA 4, Lago Norte). 
Ingressos a R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia), à venda no site www. ingressorapido.com.br. Até 18 de dezembro.

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