Brasília-DF,
23/AGO/2017

Companhia Dos à Deux apresenta a peça 'Gritos' neste final de semana

O espetáculo põe em cena a necessidade de falar de afeto, sobretudo quando a intolerância parece vencer

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Rebeca Oliveira Publicação:10/02/2017 06:02Atualização:10/02/2017 14:05
'Gritos' reúne três poemas gestuais em espetáculo de premiada companhia (Renato Mangolin/Divulgacao)
'Gritos' reúne três poemas gestuais em espetáculo de premiada companhia
 
Após temporada bem-sucedida no CCBB do Rio de Janeiro, a peça Gritos, da companhia Dos à Deux, chega aos palcos do Distrito Federal. A montagem marca o retorno do duo de criadores André Curti e Artur Luanda Ribeiro, lembrando a estreia da cia. franco-brasileira com peça homônima, 18 anos atrás.
 
O espetáculo nasce da reunião de três poemas (ou gritos) gestuais — Louise, O homem e Kalsun  — que dissertam sobre o amor em diferentes perspectivas. Elas esbarram em temas complexos como racismo, preconceito, homofobia e pessoas à margem da sociedade. Uma mulher que nasceu em corpo de homem, um indivíduo que perdeu a cabeça e uma moça do Extremo Oriente vestida de preto são os principais personagens.
 
Não espere obviedades no cenário, marcado por uma estrutura de colchões de mola. Muito menos na narrativa ou no figurino. Como todos os trabalhos do grupo, Gritos tem experimentalismo e é calcado em uma atmosfera onírica, que beira o surreal.
 
Esculpidos em gesso, partes dos corpos dos atores são usados como marionetes, com colaboração da marionetista russa Natacha Belova, a mesma que fez os bonecos de Irmãos de sangue, peça apresentada em Brasília em 2015, vencedora de dois prêmios Shell.
 
“O objetivo era dar abertura para o público sobre o que ele sente e o que leva do espetáculo para o mundo atual”, conta André Curti. Assim como o amigo, Artur, ele é diretor, coreógrafo e intérprete. A dupla se conheceu quando morava na França. Desde então, nunca deixou de trabalhar em conjunto.
 
Assista a uma prévia do espetáculo:
 
 

Duas perguntas
André Curti

Em tempos de intolerância, qual a necessidade de a arte gritar os sentimentos? 
O espetáculo evolui desse processo. Ele começou com a temática de amor e, em um ano de processo criativo, o segundo feito no Brasil, vivemos tudo na nossa sede, no Rio de Janeiro. Nesse momento tão caótico e absurdo que passamos, Gritos foi se modificando pela própria necessidade de nós, como artistas, nos posicionarmos. Falamos de três coisas completamente diferentes. O amor ainda está presente, mas, para mim, é mais sobre a ausência dele, sobre buscar o amor e o afeto. Sobre como o mundo está e sobre como não conseguimos nos comunicar completamente. Cada grito tem a sua história, mas, na verdade, (os gritos) são sobre o absurdo do mundo atual. Onde vivemos? Quem somos? Onde vamos parar?

Pode-se dizer que Gritos é sobre amor ou sobre empatia?
É sobre a busca do amor e a falta dele. O teatro pode reverter essa situação. Nossa função está cada vez mais aprimorada no sentido de que a arte, agora, tem a função essencial de defender alguma coisa importante, que seja significativa. Comigo e com Artur, esse questionamento foi forte. Muita gente comenta após a peça que o espetáculo é necessário. Isso é uma grande conquista, quer dizer que está transformando as pessoas. Está trabalhando o preconceito, como no quadro da Louise. Obviamente aquilo se reverte no público, que olha para o transexual de uma outra maneira.

SERVIÇO
Gritos
Da cia. Dos à Deux. De hoje a segunda, às 20h, no Teatro 1 do  CCBB Brasília (SCES, Tc. 2, Lt.22; 3108-7600).  Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), à venda na bilheteria do CCBB Brasília e no site web.upingressos.com.br. Não recomendado para menores de 14 anos.

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