Brasília-DF,
20/AGO/2017

Instalação 'Monumento' reflete sobre a trajetória da capital

A obra está exposta no Complexo Cultural Funarte, assim como a exposição 'Poema 193'

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Nahima Maciel Publicação:17/02/2017 06:02Atualização:16/02/2017 16:35
Em 'Monumento', a Brasília contraditória está em foco (Ismael Monticelli/Divulgação)
Em 'Monumento', a Brasília contraditória está em foco
Quando os irmãos Adriano e Fernando Guimarães e o artista gaúcho Ismael Monticelli idealizaram a instalação Monumento, em cartaz na Funarte e com curadoria de Daniela Name e Marília Panitz, queriam falar de uma utopia cujo caminho bifurcou e tomou uma direção de falhas. Nascida de um ideal de esquerda, Brasília não chegou a ser o espaço em que todos se igualam.
 
É o centro do poder, uma ilha cercada pela desigualdade e também uma cidade ocupada, principalmente, por carros. Por isso os artistas reuniram montes de terra e a carcaça de um carro enferrujado. 
 
“É um trabalho que tem esse cromatismo da cor de Brasília”, avisa Monticelli. “O trabalho tem a ver com o embricamento de ideologias que gerou a cidade”, completa Adriano.
 
Os artistas lembram que Brasília nasceu no mesmo período da Carta de Atenas, proposta internacional de como deveriam ser as cidades modernas. Assinado por Le Corbusier, o documento sugere que as necessidades humanas tenham prioridade na concepção urbanística das metrópoles. 
 
Para os artistas, Brasília é uma contradição por ter nascido, também, ligada ao projeto desenvolvimentista de JK.
“Era um projeto muito ligado  à indústria automobilística e ao desenvolvimento do automóvel. E é uma contradição surgir uma cidade assim numa época em que a Europa estava pensando as cidades já com o metrô”, diz Monticelli. 
 
Também na Funarte, o artista cearense Diego de Santos apresenta Poema 193, mostra com curadoria de Yana Tamayo e que faz uma reflexão sobre os incêndios criminosos em favelas e periferias. Foi recolhendo e queimando conchas que o artista começou a pensar sobre casa e moradia. “Eu já tinha uma investigação acerca da ideia da casa, dos espaços da casa, mas não um espaço convencional, com teto e quatro paredes, mas com outras possibilidades”, explica.
 
Quando começou a queimar as conchas, lembrou dos incêndios. “São crimes que acontecem para tirar as pessoas e ceder espaço ao empreendedorismo imobiliário. É uma luta de classes mesmo”, garante. Mas Santos não quer fazer crítica social. “É mais uma abordagem e uma visão de mundo sobre uma problemática social e outras questões, como a solidão, a distância e o fato de não ter um lugar para morar”, avisa. Poema 193, cujo título é inspirado no número de emergência do Corpo de Bombeiros, reúne vídeos, desenhos feitos com fuligem e fumaça e uma instalação.

SERVIÇO
Monumento
Intervenção de Adriano Guimarães, Fernando Guimarães e Ismael Monticelli.

Poema 193
Exposição de Diego de Santos

Visitação até 2 de abril, de terça a domingo, das 10h às 21h, no Complexo Cultural Funarte (Setor de Divulgação Cultural, entre a Torre de TV e o Centro de Convenções)

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