Brasília-DF,
29/MAR/2020

Jesuíta Barbosa comemora repercussão do personagem Fortunato, de Amores roubados

O ator pernambucano estreia, nesta terça-feira, no Berlinale com Praia do Futuro

Diminuir Fonte Aumentar Fonte Imprimir Corrigir Notícia Enviar
Fernanda Guerra Diário de Pernambuco Publicação:10/02/2014 09:43Atualização:10/02/2014 09:46

 (Stevam Avellar/Tv Globo)

O ator Jesuíta Barbosa é interrompido durante a entrevista ao Viver. “Muito prazer! Assisti 'tudinho'. Desejo muito sucesso! Só teve uma coisa ruim: Cauã Reymond 'pegou' todas as mulheres. Era para você ter feito isso”, brinca um vizinho sobre o personagem Fortunato, da minissérie Amores roubados (Globo), interpretado pelo pernambucano. Ele agradece com risos, retorna à ligação e prossegue com a mesma simplicidade da amena conversa com o conhecido.

Do ano passado para cá, ouvir elogios se tornou rotina. As diferentes performances do ator conquistaram o aval do público, de atores como Wagner Moura e Regina Duarte (“Adoro aquele menino, que nunca tinha visto na vida. Ele faz o Fortunato”, disse a atriz) e de festivais. Em 2013, recebeu o prêmio de melhor ator do Festival do Rio de 2013 por Fininha, de Tatuagem, de Hilton Lacerda. O apoio vem de casa. “Estou muito feliz. Já tá no sangue dele. É o que ele gosta de fazer”, comemora a mãe, Elizabeth.

Aos 22 anos, o pernambucano se tornou expoente do cinema e teledramaturgia nacional. Ele está na Alemanha para o lançamento de Praia do Futuro, do diretor Karim Aïnouz (O céu de Suely, com Hermila Guedes), que será exibido amanhã no Festival de Cinema de Berlim (Berlinale), e lançado no Brasil em maio. Ele incorpora Ayrton, que embarca para a Europa com o intuito de encontrar o irmão, o salva-vidas Donato, personagem de Wagner Moura. Jesuíta conheceu a Alemanha nas gravações do longa. Antes disso, nunca tinha saído do país.

Além do talento, também chama a atenção pela humildade. “Só aí a gente consegue trocar. Não importa a idade, a experiência”, ressalta. O pensamento sustenta o jeito doce, tímido e carismático. Jesuíta nasceu em Salgueiro e, aos dez anos, mudou-se para Fortaleza. Foi apresentado ao país na minissérie de George Moura e nos longas-metragens Tatuagem (Hilton Lacerda) e Serra Pelada (Heitor Dhalia). Das produções citadas, apenas Serra Pelada não teve nenhum vínculo com Ceará ou Pernambuco.

Por enquanto, porque ele já está com vários projetos em andamento.

Ainda sem previsão de estreia, Jesuíta também em Trash, de Stephen Daldry, e Jonas e a baleia, de Lo Polliti. Nas telinhas, está no elenco do remake O rebu, de George Moura, próxima trama das 23h da Globo. A novela será o projeto mais longo da carreira do ator.

entrevista >> Jesuíta Barbosa

O reconhecimento aumentou a sua segurança?
O que é mais intenso nisso de insegurança é dar entrevistas, aparecer em público, saber o que dizer e o que não pode dizer. Isso fica mais delicado. Eu sou tímido. Sempre fui muito quieto. Sou observador. A timidez varia de maneira geral. Depende do lugar que estou. A segurança vai acentuando, com a quantidade de personagens, que me deixou mais potente.

Como foi receber elogios de atores como Wagner Moura e Regina Duarte?
Fico tão feliz. Independentemente de quem seja. Com o de Regina Duarte, fiquei muito contente. Sempre a admirei. Com o de Wagner também, que é muito próximo. Você chega em vários lugares, e as pessoas nas ruas elogiam com consistência. Quero fazer jus aos elogios. Se estão falando, tem um pouco de verdade.

Em Amores roubados, você foi considerado um novo galã…

(Risos) Você achou? Não me comprometo… O galã tem aquele porte. Não acho que tenho essa beleza. Eu só apareci com o personagem. Fiz um pernambucano do Sertão, um cara místico, mas não sei se é considerado galã. Vejo como o personagem... Jesuíta não apareceu muito.

Você considera importante o trabalho de um preparador de elenco no filme? Com quais já trabalhou?
Acho importantíssima. As pessoas podem nascer com talento. Mas quando coloca uma pessoa para dar coerência, coordenar, fica mais interessante. Trabalhei com Chico Accioly (Amores roubados) de maneira singular. Ele trabalha com a memória emotiva dos atores. A preparação foi muito de conversa. Não teve preparação de corpo. Só quando a gente pedia. Fátima Toledo, em Praia do Futuro, e Amanda Gabriel, de Tatuagem, também foram incríveis.

Em Tatuagem houve um processo coletivo de construção de personagem. Em outros trabalhos também foi assim?
Acho que sempre é coletivo. Em Tatuagem, em específico, todo dia a gente se encontrava. O grupo de teatro acabou acontecendo de verdade: se criou o Chão de Estrelas. Então, por isso, ficou bem visceral. Eu não participava tanto, mas podia assistir. O grupo passou dois meses em uma casa em Olinda. Em um momento, morei só porque quis me distanciar, já que não fazia parte do Chão de Estrelas. A gente vê como a verdade modifica, atravessa a tela do e celebra o íntimo.

Como é a sua preparação?

Faço alguns exercícios para deixar o corpo quente. O processo de ebulição funciona. Grito, corro, pulo. Eu me sinto mais disponível.

Como será o trabalho em O rebu?
Na primeira versão (1974), Boneco foi interpretado por Lima Duarte. É um homem que entra para assaltar uma mansão e fica na festa. Nunca fiquei tanto tempo em um projeto. É a primeira vez que vou conseguir entender o que acontece com o personagem que se transforma a cada dia. Depende de como está o seu dia. Tem que encontrar caminhos para isso. As gravações serão de abril a setembro.

E o improviso em cena?
Improviso é sempre bem-vindo quando não interfere. Acho que a gente se transforma mesmo e se torna disponível para o que o outro ator vai propor.

Tags: celular

COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva dos autores.

CINEMA

TODOS OS FILMES [+]

BARES E RESTAURANTES

EVENTOS






OK