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18/OUT/2017

Sem grandes vilões, "Em Família" deve seguir morna até o final

Segundo especialistas, a trama aborda assuntos que dão certo na televisão, mas a novela tem mais erros do que acertos

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Agência Estado Publicação:04/06/2014 13:04
Interpretada por Giovanna Antonelli, a personagem Clara não convenceu o público (Globo/Divulgação)
Interpretada por Giovanna Antonelli, a personagem Clara não convenceu o público

Na reta final, faltando pouco mais de um mês para mostrar o desfecho da trama, a novela "Em Família", da Globo, continua sofrendo com a baixa audiência. Anunciado como o último folhetim de Manoel Carlos, a saga de Helena (Julia Lemmertz) fechou seus primeiros 100 capítulos com o menor ibope de uma novela das nove da emissora carioca. A atração não chegou a 30 pontos de média, batendo o recorde negativo de "Salve Jorge" (2012), que obteve 31 pontos até o centésimo episódio. Cada ponto equivale a 65 mil domicílios na Grande São Paulo.

A audiência em queda é uma preocupação para a emissora, mas esse não é o único problema. Segundo especialistas, "Em Família" tem mais erros do que acertos. "A sensação que eu tenho é que a novela ainda não começou.A trama tem temas polêmicos, como alcoolismo, conflito entre mãe e filha e romance homossexual, o que em geral dá muito certo em um folhetim. Mas, neste caso, não funcionou", diz Igor Sacramento, professor da Escola de Comunicação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O estudioso explica que o padrão de novelas no Brasil é calcado no realismo, diferentemente de outros países latino-americanos, onde a teledramaturgia também faz sucesso. Esse pode ser um dos grandes erros da trama, de acordo com Sacramento. "A novela 'Meu Pedacinho de Chão' parece mais real do que 'Em Família'", comenta o especialista da UFRJ.

"A grande marca do Maneco (Manoel Carlos, autor da trama) é falar do cotidiano, e não se percebe esse cotidiano na sua atual obra", aponta Maria Cristina Palma Mungioli, professora e pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo). Ela, no entanto, destaca como um grande acerto os diálogos construídos pelo novelista. Emespecial, os embates entre Luiza (Bruna Marquezine) e sua mãe, Helena.

Mauro Alencar, doutor em Teledramaturgia Brasileira e Latino-Americana pela USP e membro da Academia Internacional de Artes e Ciências da Televisão de Nova York, indica outro ponto favorável. Ele afirma que "Em Família" vem cumprindo o papel da telenovela como um processo catalizador dos conflitos humanos. "Luiza está presente para desestabilizar o percurso de sua mãe. Sendo a novela uma criação com base psicossocial, é altamente satisfatório o conflito armado entre mãe e filha", fala Alencar

Além do conflito familiar e dos bons diálogos, a novela das nove mostra o grande crescimento de dois atores: Reynaldo Gianecchini e Vanessa Gerbelli. O galã revelado em "Laços de Família" (2000), trama de Manoel Carlos, mostra maturidade em cena. "Ele passa emoção na dose certa. Está fazendo um trabalho grandioso e conquistando ainda mais o público", diz Sacramento.

Maria Cristina também ressalta o trabalho de Gianecchini e o de Vanessa, que se destacou em uma trama do autor: "Mulheres Apaixonadas" (2003), e estava havia dez anos fora da Globo. "Ela mostra a força do diálogo do autor. Sua personagem, Juliana, vai bem. Pena que seus conflitos estão se arrastando, demorando muito para serem resolvidos", comenta a professora da USP.

Sem fios soltos e sem vilã

Maria Cristina não acredita que a trama consiga mudar e surpreender na reta final. "É complicado porque nãotem fios soltos que poderiam dar uma outra possibilidade de desenvolvimento", diz ela. O professor carioca concorda: "Não vejo alternativas para essa novela. Se o Laerte (Gabriel Braga Nunes) se assumir psicopata vai dar um gás, fazendo Luiza entender a mãe e reconhecer seus erros, mas isso não muda esses quatro meses no ar", declara Sacramento.

A falta de uma rival para Helena, uma antagonista, também é um dos problemas da novela, de acordo com os especialistas. Shirley (Vivianne Pasmanter) não é a dona do posto. Ela não fez nenhuma maldade na terceira fase da trama. "Na primeira fase, quando menina, ela viu Helena se afogar e gostou. Apresentaram uma vilã ali, mas ela não voltou assim na fase adulta", indica Sacramento

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