Brasília-DF,
01/JUN/2020

Johnny Massaro demonstra visão política como personagem em novela da Globo

Em Meu Pedacinho de Chão, o ator interpreta o engenheiro agrônomo Ferdinando

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Agência Estado Publicação:07/06/2014 06:01Atualização:06/06/2014 13:18
Ferdinando na novela 'Meu pedacinho de chão' (Globo/Divulgação)
Ferdinando na novela "Meu pedacinho de chão"

Na novela das seis da Globo, "Meu Pedacinho de Chão", Johnny Massaro interpreta Ferdinando, um engenheiro agrônomo que se preocupa com a qualidade de vida de todos. Na vida real, o ator, de apenas 22 anos, demonstra uma maturidade que combina muito bem com o estilo do jovem cavalheiro.

Formado em Cinema e com grande consciência sobre a política brasileira, Johnny não ostenta o deslumbramentotípico de quem está no início da vida artística. Seu primeiro trabalho na teledramaturgia foi na novela "Floribella" (2005), na TV Bandeirantes; e, em 2007, foi para a Globo, onde fez "Malhação", "Guerra dos Sexos"(2012) e agora "Meu Pedacinho de Chão".

"Sempre fui muito responsável. Tanto que, quando tinha 16 anos, na época de 'Malhação', pedi para ser emancipado para poder ir sozinho ao Projac (estúdios da Globo)", conta o ator, que também escreve poesias e prepara-se para lançar um livro.

Leia a entrevista completa

O que te fez aceitar um projeto tão ousado como a novela "Meu Pedacinho de Chão"? Em algum momento ficou com medo de o folhetim não cair nas graças do público? Preocupa-se com a audiência?

JOHNNY MASSARO - Eu sou muito novo para recusar trabalho e, mesmo que não fosse, jamais passaria pela minhacabeça não fazer uma novela escrita por Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Luiz Fernando Carvalho. Em 'MeuPedacinho de Chão' tudo foi e é carinhosamente pensado, desenhado, pintado e estudado. A gente teve tempo eespaço para descobrir, juntos, que novela seria essa Tudo magistralmente orquestrado pelo Luiz e seus colaboradores. Os momentos de medo foram e são sempre tratados como devem ser, de maneira natural e construtiva. Se não há medo, também não há coragem. Mais do que ousado, 'Meu Pedacinho de Chão' é um projeto de coragem. E eu me preocupo com a audiência até onde dá: primeiro, porque essa preocupação não faz parte do meu trabalho e, segundo, porque o método de contagem é questionável

Porém, ao contrário do que se pensava, a novela vem agradando ao público. Na sua opinião, por que isso aconteceu? Sente este retorno nas ruas? Mais por parte das crianças ou do público em geral?

JOHNNY - Sempre tive uma sensação muito forte de que a novela seria sucesso, porque toda a equipe faz seu trabalho com muito carinho, amor e alegria. Então, como poderia não dar certo? Sem falar que é uma obra ondecada detalhe é pensado e é óbvio que o público percebe isso, consciente ou inconscientemente. Acho que o sucesso também vem do nosso senso de coletivo, do texto do Benedito e, principalmente, do olhar do Luiz sobreesse texto. O retorno é lindo, cada vez maior e mais bonito e não se refere a uma faixa etária, classe social nem sexo. Pra mim, é sinal que a novela comunica.

E como está sendo trabalhar com o Luiz Fernando Carvalho? Qual o diferencial?

JOHNNY - A mágica do Luiz é não ter medo de trabalhar de verdade e com verdade. Se ele cobra de você, é porque ele cobra muito dele mesmo antes. Então, o mínimo que você pode oferecer é o seu máximo. Acho também que o diferencial é o forte senso de coletivo que ele cria na equipe, fazendo com que cada um tenha a certezade que precisa do outro para fazer a mágica acontecer. Com isso, o ego se aquieta e a obra vira prioridade,como deve ser.

Você chegou a dizer que antes só te chamavam para personagens do tipo "nerd". Acha que este estigma caiu por terra agora? Este trabalho tem lhe dado mais visibilidade?

JOHNNY - Acho que 'Meu Pedacinho de Chão' é um trabalho que contempla positivamente cada um de seus realizadores, onde me incluo. Sobre os meus personagens anteriores, costumo dizer que, independentemente do lugar de mocinho, o que me interessa é sair do lugar onde eu estava há muito tempo e, assim, poder não só me testar como também provar que eu posso fazer outras coisas. Mas acho que a luta continua. Ela sempre continua.

O Ferdinando é um cavalheiro e isto está representado inclusive no figurino. O que você acha do personagem e qual será o seu futuro? Com quem ele ficará?

JOHNNY - O que acho do Ferdinando? Não sei. Eu gosto dele (risos). Procuro não ter qualquer julgamento de valor no que diz respeito a um personagem. Acho que, assim como uma pessoa, um personagem pode ser muitas coisas e, portanto, qualquer definição é limitadora. Gosto de pensar através da ótica das possibilidades, quesão infinitas. O que me encanta é o fato de ele enxergar poesia na terra. Ele é o cara que vê a árvore na semente e que é capaz de molhar a terra com seu pranto, se preciso. Essa ligação com a natureza é um lugar onde me reconheço. Não faço ideia com quem ele ficará e acho que nem quero fazer! (risos). Acho extremamenteimportante termos uma novela como esta no ar, que encanta os adultos e, principalmente, as crianças, que estão carentes de programação inteligente na TV aberta. Esse público está em formação e precisa receber de maneira lúdica informações sobre educação, saúde e - por que não? - política. O que a novela mostra é o que agente vive: para os que estão no poder só pelo poder, é mais interessante manter a população ignorante. Particularmente, faço esse lado político do Ferdinando com um gosto especial, porque não é sempre que temos espaço para discutir isso numa novela. Especialmente nesse momento, em que a crença num Brasil melhor dá lugar àquela já conhecida descrença. É preciso lembrar que o Brasil é um país quente e a 'maquiagem' (medidas de curto prazo) derrete muito rápido. É aquela história: não entender de política quer dizer ser governado por quem entende e isso pode ser perigoso.

Ferdinando ainda tem alguma esperança com relação a Juliana (Bruna Linzmeyer) ou poderá ficar com Gina (Paula Barbosa)? E na vida real, como reage a desilusões amorosas?

JOHNNY - Acho que o Ferdinando já entendeu que Juliana está em outra. Acho que ele se diverte com o jeito da Gina, gosta de provocá-la, de atiçá-la. Eles se reconhecem no prazer de lidar com a terra e encaro a relação dos dois de uma maneira muito sexual, animal, diferente do que ele tinha com a professorinha, que era um encantamento desmedido. Sobre as desilusões amorosas, acredito que fazem parte da vida. Tento respeitar os meus desejos e os desejos do outro. Penso, de verdade, que ninguém é de ninguém. É difícil, mas, ao mesmotempo, me parece bastante óbvio.

Como você faz para cuidar dos dreads do cabelo? É um visual que adotaria para a vida real? E as lentes azuis, está curtindo?

JOHNNY - Só posso lavar duas vezes por semana e com shampoo anticaspa. Preciso secar bem e não posso molharde noite de jeito nenhum. Estou gostando de usar, mas sei que eles significam uma fase da minha vida que precisarei abandonar em algum momento. E esse momento será em agosto, quando a novela terminar. O visual do Ferdinando me agrada por completo, compõe e me ajuda a compor

Saíram matérias dizendo que você escreve poesia erótica e vai publicar um livro. Desde quando escreve? De onde vem a inspiração?

JOHNNY - Vou publicar 'Aqui Naufraga-se em Qualquer Poça' em julho, mas a parte do 'erótica' foi um mal-entendido de uma repórter. Contei essa história para o Alex, editor, e ele disse: 'Mas não tem nada de erótico, de onde ela tirou isso?' (risos). Costumo dizer que o erotismo é, inevitavelmente, um tema - por que não seria? - mas que não é, nem de longe, o principal. Acho que tá tudo tão careta que se você coloca 'mamilo' num poema já vira 'erótico' (risos)! Gosto de escrever desde pequeno, sempre preferi escrever a falar. Achoque me expresso melhor. Na escola, entregava páginas de redação quando o máximo eram vinte e cinco linhas, por exemplo (risos). Inspiração vem de qualquer lugar, basta estar atento.

Você é filho de um taxista e uma secretária. Foi difícil o início da carreira? Fale um pouco sobre isso...

JOHNNY - Todos os homens da minha família são taxistas: meu pai, Gilmar, meus dois tios e meu falecido avô também era. Minha mãe, Ely, é secretária do colégio que eu estudei a vida inteira. Os dois sempre me estimularam a estudar, mas nunca me indicaram nenhuma profissão. Quando eu era pequeno, era muito responsável - mais do que sou hoje, inclusive - então eles nunca tiveram problemas com minhas escolhas, sempre confiaram muito em mim. Com 13 anos, eu ia sozinho de metrô para o curso de teatro, por exemplo. Aos 14, entrei em 'Floribella', na Bandeirantes, e dali as coisas foram surgindo. Quando tinha 16, na época de 'Malhação', pedi para ser emancipado para poder ir sozinho ao Projac (estúdios da Globo), até porque era muito difícil para os meus pais me acompanharem. Mas eles sempre me apoiaram, até porque, nesse começo, sendo menor de idade, se você não tiver apoio, você não faz nada. E com toda certeza eles são meus maiores fãs.

Você já fez muito teatro. E cinema, pretende fazer mais? Que tipo de personagem ainda sonha interpretar?

JOHNNY - Felizmente, tive muita sorte no teatro. Já fiz peça com direção de Bibi Ferreira, João Fonseca, Ana Kfouri e por aí vai. Sou formado em Cinema e, inclusive, escrevi e dirigi um curta, "Guimba", que deve ser lançado esse ano. Já tem até teaser no Youtube! Mas, como ator, só fiz 'Divã' e ficou um gostinho de quero mais, claro. Se alguém quiser me chamar para um teste, estou aqui! (risos). Não tenho isso de ficar pensando que personagem gostaria de fazer. Penso que sempre vou gostar do que estiver fazendo no momento e rezando para que o próximo trabalho seja um desafio ainda maior.

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