Brasília-DF,
18/OUT/2017

Aguinaldo Silva garante iniciar uma nova fase em sua vida com a novela "Império"

Escritor fala do destino na nova novela e comenta sobre beijo gay

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Agência Estado Publicação:24/07/2014 15:18Atualização:24/07/2014 16:04

Escritor Aguinaldo Silva  (Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias)
Escritor Aguinaldo Silva
Mesmo já tendo completado 70 anos, Aguinaldo Silva esbanja jovialidade. Desde o jeito de andar e falar até a forma como enxerga o mundo. E o autor de "Império", novela das 21 horas da Globo, assume que se sente "como um garoto de 18 anos". Por isso, ao começar a planejar todos os detalhes do folhetim, decidiu que se trataria de um início de uma nova fase em sua vida. "Coloquei mais ação, pensei em personagens ainda mais próximos da realidade dos telespectadores e escolhi uma equipe nova", explica ele, que depois de uma parceria de 10 anos com Wolf Maya, entregou seu texto à assinatura do diretor Rogério Gomes.

Você sempre definiu "Império" como "um novelão". O que vê de diferente na sua história em relação às outras que vêm sendo exibidas na tevê?


AGUINALDO SILVA - O que posso dizer é que, seguramente, trata-se de uma novela que não perde tempo, que vai sempre em frente. A história nunca anda para os lados, como gosto de falar e como detesto fazer. Então, é uma novela que vai manter a atenção do telespectador sempre muito forte. Bom, pelo menos é isso que espero.

Em seu histórico, você tem novelas de grande sucesso de audiência. Como "Senhora do Destino", por exemplo.

 

O beijo gay deixou de ser uma novidade nas novelas. Já teve no SBT, em duas novelas da Globo... Você pretende inserir em "Império"?

AGUINALDO - Eu não pensei nisso. É como você mesmo disse: "Em Família" teve, a passada teve e daqui a pouco até o Pernalonga vai ter beijo gay. É uma coisa natural, não precisa desse estardalhaço todo. Mas, na televisão, nosso público é majoritariamente heterossexual. E talvez não esteja muito interessado em ver um beijo gay. Existe uma militância que cobra, mas precisamos respeitar a maioria. Quando escrevemos uma novela, não é para meia dúzia de pessoas e sim para 40 milhões. Então, é preciso pensar em agradar a todos, sem deixar ninguém ofendido. E, olha, essa é uma tarefa bem complicada.

Você sentiu vontade de escrever uma cena de beijo para o Crô, personagem do Marcelo Serrado em "Fina Estampa"?


AGUINALDO - Não, nunca foi essa a minha intenção. Na verdade, o Crô era um personagem de desenho animado. Acho que não ficaria bem um beijo ali, uma cena tão realista. Tanto que ele acaba sem ninguém na novela.
 

Acha que tem condições agora de chegar aos 50 pontos de média no Ibope?

AGUINALDO - Não. Veja bem, as coisas mudaram. A audiência mudou. Mas não diminuiu, e esse é o nosso grande dilema. Vejo uma parcela do público vendo a novela por smartphones e em seus computadores. Mas essa galera não conta para efeito de audiência É um erro dizer que o público não vê mais novelas. Ele acompanha, mas, muitas vezes, por meios alternativos. Hoje, existem várias plataformas. E a gente tem de saber que isso é válido também. Tanto que, na internet, os assuntos mais discutidos são sempre sobre novelas. Eu acredito quea novela bata 50 pontos, mas não do jeito que calculam. Só somando todas essas plataformas. E isso, pelo menos por enquanto, não se consegue fazer.

Um dos traços de suas novelas é mostrar personagens sem berço que se tornam pessoas importantes e ricas. Por que esse tema fascina você?

AGUINALDO - Eu conheço muito bem esse lado. Não quero fazer demagogia aqui, mas isso é um pouco a minha história. Nasci no interior de Pernambuco, em uma cidade chamada Carpina. Meu pai era frentista num posto de gasolina. Gastou todo o dinheiro que ganhava investindo na minha educação. E eu tenho um amigo dessa época que diz para mim, brincando, que "o garoto de Carpina foi bem longe". Acho que essa realidade me faz gostar desse tema, da pessoa que vence na vida. Que vai e faz. Seja por talento, por mérito ou porque é mesmo capaz de brigar e vencer essas dificuldades. Acho que todo brasileiro quer ver isso na televisão.

E o que mais o brasileiro quer ver?

AGUINALDO - Meus personagens são muito reconhecíveis pelo grande público. São pessoas que você encontra diariamente nas ruas. Acho que esse é o grande segredo das novelas: fazer com que o público ache que aqueles personagens moram ali na esquina, pertinho de casa.

Você promete manter uma agilidade diferente em "Império". Na sua visão, o comportamento do público em relação às histórias mudou?

AGUINALDO - Mudou. O telespectador não precisa mais ser guiado. Os brasileiros agora entendem mais de novelas do que os próprios autores! Ele percebe tudo, não precisamos ficar repetindo as informações. E o que elenão sabe, deduz. O segredo é empurrar, o tempo inteiro, a história para frente. Acho que cada cena precisa resultar em alguma mudança nos personagens. Sequências de mesa de jantar, onde as pessoas conversam trivialidades, não funcionam mais. Mas também não dá para fazer uma cena limite, onde alguém tenta matar o outro e, no dia seguinte, botar os dois conversando normalmente. A história precisa caminhar sempre

Depois de 10 anos, você deixou de trabalhar com o Wolf Maya e tem agora um novo diretor, o Rogério Gomes. De onde partiu essa mudança?

AGUINALDO - Acho que uma parceria é como o casamento: acaba virando rotina. Gosto sempre de recomeços. Essa novela, por exemplo, marca um recomeço. Como "Senhora do Destino" marcou para mim. Se você prestar atenção,vai ver que é uma novela completamente diferente de tudo que já fiz. Completei 70 anos em junho e achei que estava na hora de fazer 18 de novo. Queria algo novo e com uma equipe diferente. E escolhi o Papinha. Ou melhor, o Rogério Gomes, porque não gosto de falar Papinha.

Por que você escolheu o Alexandre Nero como protagonista?

AGUINALDO - É um ator de uma intensidade incrível. E eu precisava de um protagonista que fizesse um homem de 50 anos, mas ainda tivesse uma energia diferente. Por isso preferi um ator que tivesse menos idade. E acho que o Nero, exatamente pela intensidade que tem como ator, merecia um papel de protagonista.

Então ele sempre foi sua primeira opção?

AGUINALDO - Sempre. Eu até achava que as pessoas iriam estranhar Mas quando eu disse na equipe que queria o Nero, todos foram unânimes e ficaram muito empolgados com essa escolha. Isso só me trouxe ainda mais segurança nessa decisão.

Você escalou a Viviane Araújo na mesma época em que reservou seus "medalhões" no elenco da Globo. Por quê?


AGUINALDO - Escrevi especialmente para ela. Escalei a Viviane porque sabia que ela queria investir na carreira de atriz, mas estava meio rotulada nessa imagem de rainha de bateria. E eu acho que ela tem uma história de vida legal, bem forte. Se ela queria mesmo, então achei que deveria fazer isso por ela. E está muito bem na pele da gostosa ingênua. Já vi algumas cenas e gostei bastante. Ela vive dizendo "não sei por que os homens olham tanto para mim", esse é meio que o bordão dela. Acho que vai ser bem engraçado.

Outro personagem no qual você sempre demonstrou apostar muito é o do Paulo Betti, que interpreta uma espécie de "víbora da internet". De onde veio a ideia de criar esse papel?


AGUINALDO - Acho engraçada essa história porque as pessoas ficam me perguntando muito em quem foi inspirado nesse personagem. Ora, é claro que foi inspirado em mim! Eu sou o blogueiro do mal! (gargalhadas). Vou aproveitar esse personagem como uma espécie de alter ego, colocar coisas minhas ali. Acho que a internet é o território dos "freaks" e dos desembestados. E eu sou um deles. Queria trabalhar um pouco em cima disso, de como as pessoas conseguem ser corajosas quando estão sozinhas, na frente do computador. E também como elas podem destruir reputações por irresponsabilidade. A novela fala muito sobre o direito à privacidade. E a função do personagem do José Mayer é basicamente essa: discutir o direito que as pessoas têm de manter sua vida privada. Essa história de sair do armário é uma escolha da pessoa. Escancarar a vida alheia não é uma coisa legal!

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