Brasília-DF,
19/SET/2019

Carreira de Fausto Silva: a trajetória de Perdidos na noite até Domingão do Faustão

Fausto Silva fez tanto sucesso com Perdidos na noite que acabou chamando a atenção da Globo

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Vinicius Nader Publicação:24/07/2016 07:00Atualização:22/07/2016 13:38

Fausto Silva já reclamava dos técnicos do programa no antigo programa (Band/Divulgação)
Fausto Silva já reclamava dos técnicos do programa no antigo programa


“Espelho, espelho meu existe algum programa pior do que o meu?”. O deboche de Perdidos na noite aparecia desde a chamada, dita em tom bem característico do apresentador Fausto Silva. A atração começou como um quadro do Programa Gourlart de Andrade em 1984, na Rede Gazeta de São Paulo.


Mas o sucesso foi tão grande que, no mesmo ano, passou a fazer parte da rede nacional da Record. Dois anos depois, a Band passou a exibir o Perdidos na noite até 1988, quando Fausto Silva estreou o Domingão do Faustão, na Globo.
A irreverência do apresentador e o ar de improviso de todo o Perdidos na noite davam o tom da atração, transmitida ao vivo. Fausto gostava de dizer que a experiência no rádio e como jornalista esportivo o ajudava a lidar com os imprevistos.


Não era raro algum convidado ou o pessoal da técnica tropeçarem em cabos e fios espalhados pelo cenário. E lá vinham as broncas e palavrões que desde então marcavam o jeito Fausto Silva de ser. É bem verdade, que eram mais bem-humoradas naquela época.


Outra característica do programa que chamou a atenção à época era que Fausto não estava preso às amarras do politicamente incorreto. Como a atração era ao vivo, quando alguém pensava em censurar a piada ou a opinião do apresentador, não tinha mais jeito.


O presidente José Sarney e o prefeito de São Paulo, Jânio Quadros, eram os alvos preferidos. Depois de uma piada que ligava uma suposta senilidade de Jânio com a cura da Aids, o político chegou a ameaçar processar a Band. A plateia entrava no clima e levava cartazes reclamando da precariedade do auditório e do apresentador. Tudo era lido no ar, pois Fausto ria dos próprios erros.


Como o programa era ao vivo — “quem sabe faz ao vivo”, lembra? — as bandas convidadas afinavam os instrumentos no palco enquanto conversavam com o apresentador. Foi assim que, em 1987, Arnaldo Antunes, dos Titãs, disse que não confiava em ninguém para ser presidente do Brasil. Fausto fez uma enquete com os músicos e eles chegaram à conclusão que Jorge Mautner seria o melhor nome. Curioso notar como, ainda à sombra da censura, alguns preferiram não responder.


A política dominava as entrevistas de Fausto — além dos inconfundíveis e intermináveis elogios ao convidado. Renato Russo disse que a bagunça no Brasil era tão grande que ele não estava entendendo nada. “Está todo mundo louco nesse país careteiro. Menos eu”, disse o cantor, em tom de galhofa.
Assim era Perdidos na noite: uma grande galhofa contra tudo e todos. Inclusive Fausto Silva.

SAIBA MAIS

Imitações
Fausto Silva não estava sozinho no palco do Perdidos na noite. A dupla Tatá (Nelson Alexandre) e Escova (Carlos Alberto) fazia imitações que divertiam o público com humor ácido. A lista de imitações era longa e eclética, indo de Clodovil a Lula, passando por Fernando Henrique Cardoso, Maguila e Galvão Bueno.

Do rádio
Fausto costuma dizer que lidou bem com o ao vivo e com o improviso porque vinha da escola do rádio. Antes de chegar ao Perdidos na noite, ele comandou o programa Balancê, na rádio Excelsior, ao lado dos jornalistas Osmar Santos e Juarez Soares.

Inspiração
O nome do programa foi inspirado num filme homônimo de 1969. Na comédia, Jon Voight vive um texano que, para ganhar a vida em Nova York, vira garoto de programa. Dustin Hofman também está no elenco.

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