Brasília-DF,
23/SET/2017

Crítica: 'Poesia sem fim' é uma autobiografia de Alejandro Jodorowsky

No longa, a trajetória do diretor é encenada pelo filho do cineasta, Adan Jodorowsky

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Ricardo Daehn Publicação:14/07/2017 07:00Atualização:13/07/2017 18:05
No filme, Alejandro é apresentado como uma alma sublime, um futuro grande artista (Internet/Reprodução)
No filme, Alejandro é apresentado como uma alma sublime, um futuro grande artista


Vista como uma “impermanência permanente”, a vida é o que move o diretor Alejandro Jodorowsky, à frente de Poesia sem fim. Pulsante, o personagem central é o jovem Alejandro (interpretado por Adan Jodorowsky, filho do cineasta) que, em busca a si mesmo, empreende jornada na qual se recusa a ser “um morto a mais, entre tantos outros mortos” (uma crítica à  atual letargia do mundo). 

Sedento de conteúdo para a sua produção, o protagonista amputa a dependência inicial da família disfuncional, na qual destoa.



Muito da ação do longa depende da dinâmica do Café Íris, em que a musa Stella Díaz (Pamela Flores) bebe cervejas aos litros. Tudo, aliás, no filme, acusa situações e grandezas superlativas. Daí, o universo de Jodorowsky ter paralelo com o de Federico Fellini.

Os personagens se relacionam ao mundo circense, transitam num colorido forte e desafiam padrões acadêmicos. Homem do teatro, o cineasta abusa de jogos cênicos, em que figuram até, em algumas cenas, auxiliares de palco, pouco camuflados.

Clique e confira as sessões do filme

Intimando os protagonistas a abolir máscaras sociais, Jodorowsky desperta os sentidos dos espectadores. Em outra aproximação com Fellini, o artista chileno aposta na projeção de atores com nanismo. 

Inesquecíveis, nesse insight são os anões como um mini-Hitler, chamariz para a entrada na loja El Combate, que derruba preços altos, e ainda o casal do anão com a anã que, entre juras de amor, declaram “juntos, podemos crescer”.

Por fim, o longa encerra a trajetória de um artista selvagem, capaz de redimensionar a divindade de Neruda e a abraçar descobertas como o prazer de respirar e a liberdade de voos poéticos.

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