Brasília-DF,
16/DEZ/2017

Cineasta Alexander Sokurov mobiliza público na mostra Poeta Visual, no CCBB

Tendo como matéria-prima situações irremediáveis, pesares e dores profundas, o diretor russo é dos mais repeitados nomes da geração que representa

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Ricardo Daehn Publicação:21/06/2013 06:00Atualização:20/06/2013 17:23
O diretor é muito respeitado no meio artístico (Arquivo Pessoal)
O diretor é muito respeitado no meio artístico

Tendo como matéria-prima situações irremediáveis, pesares e dores profundas, o diretor russo Alexander Sokurov é dos mais repeitados nomes da geração que, aos 62 anos, ele representa. Tema de análises e estudos detalhados no meio acadêmico, o cineasta tem mobilizado público com a mostra Poeta visual, de graça, no cinema do Centro Cultural Banco do Brasil. Algumas características e assuntos marcantes da obra do diretor podem ser conferidos nos filmes exibidos neste fim de semana.

Realismo acentuado

A capacidade de Sokurov revolver em temas pesados se projeta, nesta sexta-feira (21/6), às 17h, com a exibição de O segundo círculo. Criação de 1990, a obra — com trabalho impressionante do regular fotógrafo do cineasta, Aleksandr Burov — registra o transtorno e abatimento de um filho que perde o pai, em meio a um ultrarrigoroso inverno. Um realismo acentuado demarca a fita repleta de componentes costumeiros no particular cinema do russo.

Pais e filhos

Um dos pontos de acesso à obra do diretor está na inconstância de relacionamentos entre pais e filhos. Nessa linha, despontam Mãe e filho (domingo, às 19h30) e Pai e filho (sábado, às 20h50). No primeiro, há relevância para os cuidados dispensados por um rapaz que vê a mãe adoecer; o outro é centrado na reciclagem de papéis sociais, destoantes da cartilha esperada. O mesmo senso de metamorfose atravessa A pedra (domingo, às 21h), sobre a relação entre um vigilante do Museu Tchekhov e o próprio escritor (capacitado para uma imaginária segunda vida).

Absorção pelo poder

A perpetuação de uma personalidade mundial também dá a partida para Moloch (sexta-feira, às 20h50), no qual Leonid Mozgovoy encarna ninguém menos do que Hitler. Na fita, um reservado encontro doméstico entre Hitler e Eva Braun é testemunhado por Josef e Magda Goebbels. O filme, por sinal, alcança outro tópico, de modo sistemático, aproveitado por Sokurov: a absorção pelo poder. No título, Moloch, vale lembrar, remete ao demônio bíblico gratificado pelo sacrifício de crianças.

Caráter obsessivo

Ainda na programação do CCBB, Maria (Elegia camponesa), a ser mostrado no sábado, às 19h, com processo de filmagem que chegou até 1988, reforça o caráter obsessivo de Sokurov. Por nove anos, ele acompanhou o rude destino de uma agricultora que definha, junto com um modo de vida simples e baseado em subsistência fadada a desaparecer.

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