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19/OUT/2017

Adaptação de livro, Guerra Mundial Z estreia sem compromissos

Filme de Marc Foster ignora reflexões críticas do livro que o inspirou, se limitando ao mero entretenimento

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Yale Gontijo Publicação:28/06/2013 06:04Atualização:27/06/2013 17:33

Brad Pitt em cena: o ator disputou com Leonardo DiCaprio o direito de levar às telas o livro de Brooks (Paramount/Divulgação)
Brad Pitt em cena: o ator disputou com Leonardo DiCaprio o direito de levar às telas o livro de Brooks

Muitas guerras são travadas em torno de Guerra Mundial Z, a adaptação da obra literária lançada em 2006 por Max Brooks (escritor de livros de zumbi e filho do comediante Mel Brooks). Tudo começou quando Leonardo DiCaprio e Brad Pitt disputavam os direitos para o cinema. A concorrência entre dois medalhões de Hollywood dá a dimensão do apreço que a cultura zumbi vem ganhando. O livro de Brooks é um tratado sobre geopolítica e táticas militares, fragmentado em relatos recolhidos entre sobreviventes de um fictício confronto global entre humanos e zumbis.

A adaptação tocada por Marc Foster (diretor) e Pitt (ator e produtor) abandona o caráter epistolar para valorizar a movimentação, inclusive a dos mortos-vivos. Com vigor de atleta, os infectados são velozes e fortes. Centenas deles reunidos têm a potência de um maremoto. Portanto, a opção foi frear o caráter político para apostar em um filme cinético, em que o personagem de Pitt, o funcionário da Organização das Nações Unidas Gerry Lane, encontra tempo para refletir sobre o comportamento do vírus e sobre as formas de contágio. As reflexões críticas levantadas na metáfora de Brooks sobre o isolacionismo e a política externa ianque são esquecidas a favor de excessiva promoção da ONU.

A outra batalha foi travada nos dias de filmagem. Entre os erros das produtoras Paramount e Plan B (de Pitt), o orçamento engrossou até bater em cerca de US$ 200 milhões (é apontado como o mais caro filme do gênero já produzido). A insatisfação dos produtores com o manejo de Foster forçou a refilmagem dos 40 minutos finais. A verdadeira ameaça era um inimigo infiltrado no set com atrasos de produção e dificuldades para tocar sequências com mais de 200 figurantes.

O encerramento (uma batalha épica filmada na Rússia) foi substituído por uma sequência centrada no personagem de Pitt manejando o suspense em torno de uma solução paliativa de sobrevivência. Diante da ameaça de “epic fail”, Guerra Mundial Z sobrevive como bom entretenimento. O desfecho levado às telas deixa respiro para uma continuação, com chances de recuperar os prejuízos acumulados. É a oportunidade de se voltar ao pensamento original de Brooks. Tomara que os produtores considerem essa opção.

 

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