Brasília-DF,
15/DEZ/2017

Novo Homem de Aço chega aos cinemas; veja, ouça e compare a evolução do herói

Filme de Zach Snyder não traz nenhum dado sobre o Super-Homem que já não tenha sido aproveitado na cultura pop no século 20

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Yale Gontijo Publicação:12/07/2013 06:01Atualização:12/07/2013 16:11


Os cineastas Zach Snyder e Christopher Nolan há tempos são a carne de vaca da indústria cinematográfica americana. Snyder fez de 300 objeto de culto estético; o realismo empregado por Nolan nas três sequências recentes de Batman apresentou o homem morcego para gerações que não acompanharam as aventuras do herói na tosca série de tevê ou na estética gótica de Tim Burton. Com O Homem de Aço, fica visível que tateamos em tempos de vacas magras. Nolan fez o roteiro e produziu a película. Ou seja, apadrinhou o projeto dirigido por Snyder desde o berço.

É justamente no berço que encontramos o menino Kal-El, quando Krypton, planeta mal gerido e exaurido de recursos naturais, está à beira da extinção. Para salvá-lo, os pais enviam o bebê à Terra em uma a nave, encontrada pelo fazendeiro Kent (Kevin Costner, já estávamos com saudade), que passa a criar o garoto como filho (como vocês já devem saber). A criança passa por desnecessários episódios de bullying na adolescência (como vocês já devem saber) até descobrir como usar os superpoderes que o permitem voar ou obter a visão de raio-x (como todo mundo já sabe).

Henry Cavill, O Super-Homem, e Amy Adams, a Lois Lane, se conhecem numa expedição alienígena: única novidade (Warner Bros/Divulgação)
Henry Cavill, O Super-Homem, e Amy Adams, a Lois Lane, se conhecem numa expedição alienígena: única novidade

Uma ligeira diferença causa algum impacto. A repórter Lois Lane (Amy Adams) conhece o Homem de Aço (o lindo ator Henry Cavill) numa espécie de expedição alienígena, e não na redação do Planeta Diário. O clima de romance é cortado com a chegada do General Zod (Michael Shannon, em má fase) e outros kryptonianos (da pesada) com desejo de eliminar a vida humana na Terra para criar uma raça superior.

Clímax esticado

É um voo conhecido, e termina quando o clímax é esticado à exaustão em uma batalha que se deseja épica, mas que mostra, para nosso enfado, como Hollywood ainda se aproveita das alusões ao 11 de setembro em Nova York. A sequência deixa aparente a prática de pensar diretamente a narrativa na feitura do story board (os desenhos feitos para guiar a equipe durante as filmagens). Uma semelhança com The Avengers — Os vingadores (2012), de Joss Whedon, ou com todos os filmes dirigidos pelo “garoto explode tudo” Michael Bay. A estratégia rendeu rios de dinheiro em ambos os casos e deve surtir efeito neste também.

Na verdade, o que é difícil aceitar em O Homem de Aço é que não há nenhum dado sobre o Super-Homem que já não tenha sido aproveitado pela cultura pop no século 20. Não adianta remixar trechos narrados na clássica trilogia de Richard Lester, feita nos anos 1970, com Christopher Reeve no lugar do homem voador. A diferença é que Lester sabia extrair o melhor da dubiedade entre o ser indestrutível Super-Homem e a falibidade humana de Clark Kent. O conflito minguou em meio a tantos efeitos de CG usados nos combates borrados pelo pretenso registro documental, feito com câmera na mão. Não há moral que resista a tantas explosões.

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