Brasília-DF,
22/OUT/2017

Paternidade é a tônica da sequência da aventura dos Smurfs

Conflito sobre a paternidade da Smurfete rege a sequência animada, que incorpora novidades tecnológicas à trama

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Yale Gontijo Publicação:02/08/2013 06:00Atualização:02/08/2013 09:22

A mistura de atores reais com animação em 3D, usada no primeiro filme, se mantém em Smurfs 2 (Columbia Tristar/Divulgação)
A mistura de atores reais com animação em 3D, usada no primeiro filme, se mantém em Smurfs 2

A paternidade é a tônica da sequência de aventura dos Smurfs. A inquietação corresponde ao conflito da bela Smurfete, em dúvida quanto à própria origem. A cabeça da adolescente está em parafuso sobre sua verdadeira índole, que pode vir a ser parecida com a do pai “biológico”, Gargamel (Hank Azaria) — esse vivendo sob disfarce de mágico ilusionista em temporada de sucesso em Paris. Não satisfeito com a fama e a fortuna, o vilão, acompanhado do gato Cruel, insiste em infernizar os Smurfs até conseguir a receita de uma fórmula mágica confiada à Smurfete pelo Papai Smurf.

Em outra dimensão, a do nosso planeta Terra, o humano amigo dos Smurfs, Patrick (Neil Patrick Harris) está em desacerto entre a própria paternidade e a relação com o padrasto Victor (Brendan Gleeson). A proposta de misturar atores reais com os Smurfs de animação 3D, usada no primeiro filme, continua com a promessa de inserir dinâmica suficiente para atualizar a franquia.

Há mais diferenças. Os Smurfs usam redes sociais, elaboram planos tocando a tela de um tablet e, invariavelmente, utilizam smartphones. Enquanto operam engenhocas tecnológicas, resmungam de preocupações bem do nosso tempo em relação ao consumo de alimentos com glúten, lactose e afins. Essas atualizações, na verdade, acabam por desviar a atenção da plateia sobre o melhor das criaturas em miniatura e subestimar as características pré-existentes na história datada de mais de meio século.



O desenho Smurfs foi feito para crianças, mas sempre suscitou interpretações políticas interessantes (leia quadro) em adultos. Linhas de direitos humanos também transitam pela vila de cogumelos. O personagem Vaidoso (com grande destaque neste filme) algumas vezes deixa transparecer a homossexulidade, e nunca é tratado com preconceito dentro da comunidade em que habita. Na vila Smurf, não se fala o idioma da homofobia. Essa era e ainda é uma ousadia tremenda existente desde o desenho produzido pelo estúdio Hanna-Barbera.

O cartoon era o entretenimento predileto de uma geração que o assistia depois das aulas, no horário do almoço nos anos 1980 e 1990. São as mesmas pessoas que hoje têm filhos com idade ideal para ir ao cinema. Aos pais com mais de 30 anos, é reservado o prazer de ouvir a voz de um dos maiores dubladores de todos os tempos. O ator Orlando Drummond é a voz que os brasileiros associam ao marinheiro Popeye e ao cachorro detetive Scooby-Doo (o rosto do intérprete é reconhecido pelo personagem Seu Peru, do humorístico Escolinha do professor Raimundo). No desenho, Drummond dublava o vilão Gargamel. Hoje, ouvi-lo dando voz ao sábio Papai Smurf é como reencontrar alguém da família.

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