Brasília-DF,
18/NOV/2017

Em Vendo ou alugo, conflito de classes e clichês no Rio de Janeiro são enfoque da história

O longa-metragem era para ser politicamente incorreto, mas o humor está mais para as incorreções de um boca-suja

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Yale Gontijo Publicação:09/08/2013 06:03Atualização:09/08/2013 09:36

Marieta Severo é Maria Alice, a endividada dona de um casarão ao pé de uma favela (Aurora Filmes/Divulgação)
Marieta Severo é Maria Alice, a endividada dona de um casarão ao pé de uma favela

A placa de vendo ou alugo nos insere em uma casa ao pé do Morro do Chapéu Mangueira. O Rio de Janeiro é apresentado em um pedaço minúsculo nessa comédia carioca sobre divisão de classes, encurtando as distâncias entre favela e asfalto. A aproximação, no entanto, está longe de ser tranquila. Marieta Severo é produtora e protagonista da película, no papel da endividada Maria Alice. Tradutora de textos em hebraico, Alice ainda mora com a mãe, dona Maria Eudóxia (Nathália Timberg), uma madame aristocrática obsoleta com mania de palavras em francês e controle sobre a vida pessoal dos empregados.

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Silvia Buarque aparece na história como a antropóloga desligada de apegos materiais, Baby, filha de Alice. Completa o quarteto de mulheres neuróticas a adolescente Madu (Bia Morgana) — a garota é que melhor entende e ciceroneia o empresário gringo Manoel (Nicola Lama), um dos candidatos a comprador do mausoléu para construir um hotel de turismo de aventura em favelas. O outro interessado é o pastor caricato interpretado por André Mattos, com pretensões de transformá-lo num templo. O Brasil da classe C sobe o morro na garupa da moto de Jorge (Marcos Palmeira) e alcança os degraus do casarão localizado no Leme, em uma relação de cumplicidade e fingimento entre os ricos e os pobres.

Vendo ou alugo era para ser politicamente incorreto, mas seu humor está mais para as incorreções de um boca-suja. Certamente, faz melhor que outras comédias que destilam piadas machistas, homofóbicas e racistas. O roteiro não comete julgamentos. Portanto, não há blefe em extrair situações absurdas da vida real, o que a diferencia de títulos ruins, como O concurso e afins. É filho diretor da tradição de humor de filmes da safra brasiliense de Betse de Paula (a diretora e roteirista produziu em Brasília por 10 anos): Feliz aniversário, Urbana! O casamento de Louise (2001) e Celeste e Estrela (2005).

Separado qualitativamente do nicho de produção recente, pode ser analisado como uma comédia como tantas outras. Nesse caso, o roteiro é decepcionante ao se apoiar em bizarrices extrafilme, sendo a pior delas a inserção de uma sequência inspirada em 2001 — Uma odisseia no espaço, o clássico de ficção científica de Stanley Kubrick.

 

Assista o trailer de Vendo ou alugo

 

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