Brasília-DF,
25/JUL/2017

Primeiro filme nacional em 3D, Se puder...Dirija! tem bons momentos

Primeiro filme nacional gravado em 3D não se apoia em facilidades do gênero, é mediano, mas tem bons momentos

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Ricardo Daehn Publicação:30/08/2013 06:00Atualização:29/08/2013 18:06
Embora desnecessário, o recurso do 3D durante o longa não perturba (Davi de Almeida/Divulgação)
Embora desnecessário, o recurso do 3D durante o longa não perturba
Ainda que sem muito equilíbrio ao dosar graça e pitadas piegas, Se puder… Dirija! tem o mérito de não embarcar abertamente no terreno das comédias brasileiras derivadas de uma produção em alta escala e escorada em facilidades. É na turbulenta e incompleta relação com o filho, Quinho (Gabriel Palhares, um ator que não pesa a mão para agradar), que reside o grande desgaste de João (Luiz Fernando Guimarães). Meio que a cabresto, o garoto recebe o pai (afastado também da ex-mulher, Ana), justamente no aniversário.

João, petrificado, resiste até à graça do “palhaço chato” escalado para animar a festa de Quinho. Num emaranhado de situações condensadas em menos de um dia, à la Depois de horas, João, um motorista de estacionamento particular, terá a oportunidade de remissão. Diretor e roteirista do longa — o primeiro nacional feito em 3D —, Paulo Fontenelle revela um talento distanciado dos documentários anteriores, que cercaram o fotógrafo Evandro Teixeira e também a Guerra de Canudos.

Verdade seja dita: embora desnecessário, o recurso do 3D não perturba. Faz parte da graça a forçação de ver tantos tipos agrupados para cenas que montam, num crescente, o surrealismo das peripécias de João. Bárbara Paz vive a doutora Márcia, enquanto Reynaldo Gianecchini é um ciclista com ares de galã e Leandro Hassum (com alguns bons momentos) é o colega de trabalho do protagonista. Eri Johnson avoluma a galeria de personagens, na pele de um inusitado futuro pai.

O iminente roubo de um carro — por sua vez, já roubado — gera as melhores sequências. Além do flerte com uma idosa (em que Luiz Fernando puxa toda a graça), o episódio rende um breve show no roteiro, repleto de trocadilhos (que alcançam o cachorro Moleque). Uma persistência em maquinações escatológicas e na ideia de que vários personagens estejam mal do estômago estão entre os elementos menos divertidos. Na média, fica a noção de um filme igualmente mediano.

Confira trechos da entrevista com o ator Luiz Fernando Guimarães

[VIDEO2]

“Na interpretação, não fiquei muito ligado no 3D. O grande lance é não ter comparação com os estrangeiros. A tecnologia embeleza o filme, que tem uma história bonita, tipicamente brasileira. Com a trama envolvente, não usei o tradicional humor que uso em teatro e tevê porque acho que não cabia ali. Fiz um personagem; não fiquei identificando em que onda estava o humor. Tem algumas cenas mais engraçadas, mais irreverentes. Não tive base em nada. Fiz de acordo com o que as situações mandavam: apostamos num filme muito legal de ser visto.”
Luiz Fernando Guimarães, ator

Palavra de especialista
“O gosto pelo 3D, no caso do Se puder… Dirija! veio tanto da produtora (Total Entertainment) quanto do diretor Paulo Fontenelle. Conheço gente do mundo inteiro do setor, já fiz seminários do assunto, no Festival do Rio. Daí, fui muito estimulada para o desafio de não realizar algo mambembe. Como o filme se passa muito dentro de um carro, achamos que o 3D propiciaria a imersão do espectador para dentro do veículo. Além disso, teremos cópias em 2D, pra quem gosta mais desse formato. O processo do 3D encareceu em 30% a produção.”
Walkíria Barbosa, produtora da Total Entertainment
 
Assista o trailer do filme "Se puder... Dirija!"

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