Brasília-DF,
18/DEZ/2017

'Os suspeitos' revela drama familiar e pesa na devoção e no sensacionalismo

Com uma de suas obras recentemente indicada ao Oscar, o cineasta desmancha os nervos dos espectadores

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Ricardo Daehn Publicação:18/10/2013 06:01
Hugh Jackman (E) e Paul Dano dão show de interpretação como Keller e Alex (Paris Filmes/Divulgação)
Hugh Jackman (E) e Paul Dano dão show de interpretação como Keller e Alex

Dramatizações de eventos densos, daqueles que causam ansiedade das mais extremadas, estão no cardápio corriqueiro das produções assinadas pelo diretor canadense Denis Villeneuve. Com uma de suas obras (Incêndios) recentemente indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro, o cineasta desmancha os nervos dos espectadores numa trama de dar a inveja a um operário de criatividade à altura de Dennis Lehane (escritor que rendeu fortes adaptações para a telona, do porte de Medo da verdade e Sobre meninos e lobos).

Mesmo as duas críticas cabíveis — o quase exagero nos tiques da ciranda de personagens e o excesso de tipos com comportamentos duvidosos — ficam em segundo plano, seja pelo elenco irrepreensível, seja pela leitura mais atenta do título (Os suspeitos), que dá a escala dos possíveis culpados no desaparecimento de um par de meninas, provavelmente mortas ou mantidas em cativeiro. Um amontoado de equívocos sustenta a trama: erram os pais, algo desatentos (e até patologicamente sedentos de vingança, caso do parente interpretado por um superlativo Hugh Jackman); erra o investigador, que desvia da constante precaução e do distanciamento (Jake Gyllenhaal); e, ainda, erram os pais omissos da outra família afetada (Viola Davis e Terrence Howard, discretos mas resplandecentes).

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“Elas não choraram até eu deixá-las”, pontua o maior dos suspeitos, o problemático Alex (Paul Dano, na composição de um menino em corpo de homem), visto em campana num trailer, à frente do local do crime, no Dia de Ação de Graças. No mar de desgraças subjacente a muitos dos personagens, pesam situações que exploram devoção e sensacionalismo.

Na história de contornos labirínticos, as performances de Melissa Leo (clamando por mais um Oscar) e do ator e roteirista David Dastmalchian (demoníaco, como um ser ensandecido) não passam despercebidas. “Reze pelo melhor; prepare-se para o pior” é a frase que teima em se fixar ao final da sessão do filme (aparentado de Entre quatro paredes) que causa perplexidade, pelos atos inesperados de tipos que agem, por pleno descontrole, em uma realidade repleta de sobressaltos.

Veja o trailer do filme

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