Brasília-DF,
20/NOV/2017

Documentário "Blood Money" polemiza sobre questão do aborto

O filme define "quando começa a vida" e traz depoimentos de maridos e namorados

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Ricardo Daehn Publicação:15/11/2013 06:04Atualização:14/11/2013 13:54

Por meio de depoimentos anônimos, documentário se posiciona radicalmente contra o aborto (Europa Filmes/Divulgação)
Por meio de depoimentos anônimos, documentário se posiciona radicalmente contra o aborto

Zapeando entre um canal e outro, madrugada adentro, você pode se deparar, entre anedotas de fundo questionável e depoimentos de pessoas emocionalmente instáveis, com uma produção ao estilo deste documentário conduzido por David Kyle. Sem abrir o leque para uma discussão ampla, a fita tenta, a fórceps, emplacar um mantra que não compreende a relativização necessária para uma questão absolutamente (e de fato) vital: a do aborto.

“A sineta da caixa registradora (da indústria do aborto, nos Estados Unidos) ocupou o lugar do choro do recém-nascido”, registra parte da narração, em nada neutra, comandada por Alveda C. King, sobrinha de Martin Luther King. “Injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar”, chega a ser citado o político, em determinado trecho do filme que recorre à quinta emenda constitucional norte-americana (detentora do trecho “Ninguém pode ser privado de sua vida”) para fundamentar uma discussão em torno do impacto do aborto.


Uma nebulosa definição do entendimento de “quando começa a vida” (na verdade, bem posicionada) e depoimentos de coação, com elementos de senso comum (frente a maridos e a namorados indiferentes) municiam quem defende “o outro lado”. Ou seja, não há matizes para um real debate (ao menos, passível de acontecer em situação extrafilme). A fita entoa uma espécie de réplica aos 40 anos de prevalência de interesses difundidos pela educadora sexual Margaret Sanger, apontada como figura controversa. No mesmo nível de denúncias, vem o grupo favorável ao aborto Paternidade Planejada.

Pleno de linguagem que induza, o filme é polêmico, até mesmo por, entre tantos juízos de valor, se eximir de justiçar uma ex-proprietária de clínica, uma figura declaradamente criminosa e que comparece, corroborando estatísticas ao “nocivo” ato associado unicamente à depressão e ao desamparo.

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