Brasília-DF,
24/NOV/2017

Libertinagem e opressão caminham lado a lado no longa pernambucano Tatuagem

Escolado no trato com marginalizados, o cineasta Hilton Lacerda tem as manhas com essa galeria de tipos, vide os roteiros de longas que assinou anteriormente

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Ricardo Daehn Publicação:22/11/2013 06:00Atualização:21/11/2013 17:53
Clécio (Irandhir Santos) e Paulete (Rodrigo García): os cabeças do grupo artístico enfocado no longa (Imovision/Divulgação)
Clécio (Irandhir Santos) e Paulete (Rodrigo García): os cabeças do grupo artístico enfocado no longa

De um lado, os militares; do outro, a militância. O cenário é de fins dos anos 1970, e a justaposição dos comandantes e dos contestadores não traz confronto direto. Saído de alojamento do Recife, o soldado Fininha (Jesuíta Barbosa) cai, meio de paraquedas, nos solares e debochados shows do cabaré Chão de Estrelas, grupo integrado por figuras como Paulete (Rodrigo García) e Clécio (o camaleônico e sensível Irandhir Santos). Numa dualidade que remete ao cubano Morango e chocolate, Tatuagem prega uma libertinagem que vai de encontro ao cerceamento: entre proibições enfrentadas pelos artistas, há muito espaço para sutil humor, como pontua um repressor que se apresenta com um descabido “Eu sou só um censor”.

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Escolado no trato com marginalizados, o cineasta Hilton Lacerda tem as manhas com essa galeria de tipos, vide os roteiros de longas que assinou, entre os quais de Amarelo manga, A festa da menina morta e A febre do rato. Fininha — o militar “de cheiro doce”, como detecta Clécio — troca uma vida opaca (representada em providenciais travellings) pela energética convivência dos donos do picadeiro e das picardias dadas como subversivas. “Tu já foste criado na confusão, o menino (Fininha) tá começando agora”, observa Clécio, para Paulete, na condição ainda maior do que a de tutor do rapaz.


Em foco, Lacerda prioriza o poder da arte que desautoriza princípios à la tradição, família e propriedade. Sem maniqueísmo formatado, o filme se vale de matizes: Clécio, por exemplo, tem um filho; Fininha guarda ações obscuras (sem posar de santo); um sargento se engancha com subalternos e os moderados “anarquistas” podem se embalar por drogas.

Tatuagem tem no epitélio a contestação. É marca que fica e na qual pulsa uma das frases do roteiro que sublinha a necessidade de se “inaugurar o futuro”. Futuro ou final feliz ainda não convenceram Hilton Lacerda.

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