Brasília-DF,
25/JUN/2017

Remake de Carrie não faz jus à fita original de Brian de Palma, gravada em 1976

Analisando cada um dos itens do passado e do presente, registra-se o somatório de efeitos visuais mais poderosos, mas nem por isso mais instigantes

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Yale Gontijo Publicação:06/12/2013 06:00Atualização:05/12/2013 14:35
Faltou experiência à talentosa Chloë Grace Moretz para interpretar o complexo papel de Carrie (Michael Gibson/Divulgação)
Faltou experiência à talentosa Chloë Grace Moretz para interpretar o complexo papel de Carrie

Do início ao fim, tudo se desenvolve de maneira igual neste remake do clássico do cinema do terror Carrie, a estranha, dirigido em 1976 por Brian De Palma e, agora, redirigido por Kimberly Pierce. A trama é a mesma: na escola, a adolescente Carrie é rejeitada por colegas e professores. Em casa, a garota, oprimida pela religiosidade da mãe, desenvolve um talento raro para a telecinese. Não é por repetir o roteiro original que a nova empreitada se sai bem-sucedida. Analisando cada um dos itens do passado e do presente, registra-se o somatório de efeitos visuais mais poderosos, mas nem por isso mais instigantes.

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Em 1976, era mandatório atualizar os temas em Hollywood, pois o cinema perdia público, e a plateia mais jovem exigia maior dinâmica narrativa. O filme original era um registro de mudanças comportamentais da juventude norte-americana, embalada pelo rock e pelo sexo livre. E o terror aparecia como o aditivo mais interessante desta história colegial. Os dilemas morais e sexuais pelos quais passou Carrie são bem menos importantes hoje. E mesmo o bullying na escola já é um tema que ultrapassou a cortina do silêncio, embora ainda se registrem casos trágicos.


Essa não é a única fragilidade desta segunda refilmagem (um outro remake foi lançado em 2002, sem sucesso). Ao interpretar a protagonista da fita original, Sissy Spacek tinha 27 anos, embora aparentasse ser uma adolescente. Por mais que Chloë Grace Moretz tenha se mostrado uma atriz talentosa e promissora em A invenção de Hugo Cabret (2011) e Deixe-me entrar (2010), ela não tem a experiência necessária para uma personagem complexa como Carrie.

As atuações de Sissy e Piper Laurie, primeira intérprete da mãe de Carrie, são incomparáveis (a voz trêmula de Piper ecoa em nossos ouvidos e habita nossos pensamentos mais soturnos ainda hoje). Claro, Julianne Moore, que a substitiu como a fundamentalista religiosa Margaret White, também é uma grande atriz, mas, neste caso, não consegue retratar o pavor pelo castigo de um deus inclemente. Prefira a primeira fita, mesmo se encontrá-la apenas na obsoleta versão de uma velha fita VHS.

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