Brasília-DF,
25/JUN/2017

Filme protagonizado por Clarice Falcão e Rodrigo Pandolfo chega aos cinemas

Falando de uma geração que se obrigou a "rejeitar" carinho (ou teria sido mimada demais?), o diretor acolhe o juvenil, com insatisfações e rompantes

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Ricardo Daehn Publicação:20/12/2013 06:01
Guilherme (Rodrigo Pandolfo) e Clara (Clarice Falcão): relacionamento com marcas de Woody Allen (Vitrine Filmes/Divulgação)
Guilherme (Rodrigo Pandolfo) e Clara (Clarice Falcão): relacionamento com marcas de Woody Allen

Entre jograis e joguinhos de intimidade — muitos deles similares a exercícios teatrais e pivôs de certo constrangimento (pelo excesso de exposição) —, os personagens criados pelo diretor Matheus Souza afinam os vínculos: de um lado, Clara (Clarice Falcão), do outro, Guilherme (Rodrigo Pandolfo). Como no filme anterior, Apenas o fim, o diretor oxigena a fita, sem muitas fórmulas — sendo a liberdade o princípio e o desfecho. Há algo do moderninho cinema independente norte-americano e a pitada à Woody Allen — mas tudo norteado, no fundo, pelas experiências autênticas de um jovem realizador.

“Dá muito trabalho ser blasé”, demarca Clara, devotada a matar aula desde o primeiro dia no curso de medicina. Ela perambula, desencontrada, entre tipos sui generis de parentes e conhecidos — entre eles, o tio arrependido da dedicação excessiva ao trabalho, o casal de obstetras permissivos que não dá crédito a bullying e o tio pediatra que larga a máxima para a mãe: “A senhora é perfeita demais para mim. Mamãe, a nossa relação está desgastada.” Infantilizada e débil (nos momentos de maior emoção), Clarice Falcão dá conta do recado de uma Diane Keaton em tardia pré-adolescência.


O avô neurologista (um Daniel Filho perfeito) relata as piores escolhas e amarguradas verdades (“gente ética não vai a lugar nenhum nesse mundo”) e coroa um elenco rechado de boas pontas, como as de Gregório Duvivier, Alexandre Nero, Leandro Hassum e Kiko Mascarenhas. Falando de uma geração que se obrigou a “rejeitar” carinho (ou teria sido mimada demais?), o diretor acolhe o juvenil, com insatisfações e rompantes, dependente de tecnologia e ególatra — ora ingênua, ora desprovida do carisma da “fofura” na qual vem embalada. Tudo recheado com humor que burila tiradas como: “Não sou Aquaman para me dirigir à piranha.” Por vezes, Matheus é arrasador.

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