Brasília-DF,
21/AGO/2017

A menina que roubava livros recorre à fórmula de sentimentalismo ultrapassada

Filme sobre perdas, que adapta best-seller de Markus Zusak, vem embalado por clássico refinamento técnico

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Ricardo Daehn Publicação:31/01/2014 06:00Atualização:30/01/2014 13:46
Adaptação de livro para o cinema adota tom infantojuvenil (Fox/Divulgação)
Adaptação de livro para o cinema adota tom infantojuvenil

É no isolamento, fator preponderante na trama do livro O homem invisível (de G.H. Wells), bastante citado na história de A menina que roubava livros, que o filme de estreia do britânico Brian Percival se concentra. A bem da verdade, é a ruptura desta solidão que dá fôlego ao enredo concentrado não apenas na menina Liesel Meminger (Sophie Nélisse), mas na ponte de suas relações com o judeu Max (Ben Schnetzer), poupado de iminente extermínio, e com o padrasto Hans (Geoffrey Rush), ambas construídas em prazer moldado pela leitura.

Na Rua Paraíso, onde passa a ser a nova morada de Liesel, durante a Segunda Guerra, o clima é de tensão e de um colorido exagerado. A tal ponto que o narrador (personificando a morte) ameaça, a todo momento, efetivo constrangimento, no prenúncio de obviedades como a de que “Ninguém vive para sempre”. Ler O manual do coveiro é o primeiro passo para que Liesel alivie a carga pesada, numa Alemanha em que ganha o apelido de “porquinha” e na qual recebe, na escola, ordens mecânicas (“giz, quadro, nome”). Isso sem contar os desmandos da madrasta Rosa (Emily Watson, tão caricatural quanto Geoffrey Rush).


Vencedor do Emmy, pela direção da série Downton Abbey, Brian Percival não adota muitos contrastes ao adaptar o best-seller de Markus Zusak, tendendo a um prisma infantojuvenil (similar ao de Um olhar do paraíso). Às vezes o recurso traz até benefício ao filme, como no caso da ingenuidade do menino Rudy, vizinho louro de Liesel, que — admirador do atleta negro Jesse Owens (destacado nas Olimpíadas de Berlim) — desafia parte da Alemanha nazista, ao simular uma mudança de pele.

Neste filme sobre perdas, sejam elas humanas ou mesmo de oportunidades (caso da interdição de uma “biblioteca” temporária para Liesel), fica evidente um desejo de calçar literatices. Em poucas oportunidades, porém, o real valor das palavras ganha profundidade. Na rala exceção, há peso para cifra de Aristóteles: “A memória é o escriba da alma”. Reforços muito sentimentais — como a ênfase na lembrança de que pessoas “são humanas” — e a falta de uma determinação, na hora de cravar um desfecho, também prejudicam o diretor. Além disso, Sophie Nélisse, notável no filme O que traz boas novas, não imprime o maior dos carismas.

COMENTÁRIOS

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DENISE LEITE 03 de Ferveiro às 09:11

Fui ao cinema da sexta, estreia do filme, e minhas expectativas foram completamente superadas. Acho raso e primário afirmar que o filme tem um desejo de "calçar literatices". A fotografia é magnífica, trilha sonora inebriante, a atuação Sophie Nélisse fantástica. Todos sairão do cinema apaixonados.

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