Brasília-DF,
15/DEZ/2017

Matthew McConaughey interpreta um "babaca homofóbico" em filme; confira a crítica

De Jean-Marc, Clube de compras Dallas estreia nesta sexta-feira (21/2) na cidade

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Ricardo Daehn Publicação:21/02/2014 06:04

Performances de Jared Leto e Matthew McConaughey renderam indicações ao Oscar (Universal/Divulgação)
Performances de Jared Leto e Matthew McConaughey renderam indicações ao Oscar

Há um avanço dramatúrgico, quando justapostos Filadélfia (que, há 20 anos, rendeu Oscar a Tom Hanks) e Clube de compras Dallas: enquanto, versando sobre Aids, um convidava ao drama fatalista, o outro, atual, segue a corrente mais otimista, com o protagonista arregaçando as mangas (e se desvestindo de preconceitos). Mesmo em seu heroísmo, Ron Woodroof — personagem de Matthew McConaughey taxado, momentaneamente, de “babaca homofóbico” — traz um amontoado de imperfeições, lamentando os hábitos mais íntimos do astro Rock Hudson, dispensando preservativos e cultivando uma etapa de negação, ao receber ultimato de 30 dias, para colocar “as coisas em ordem”.

Diretor do agridoce C.R.A.Z.Y. — Loucos de amor (2005), o canadense Jean-Marc Vallée assina um drama integrado por dor e pela afronta a leis — com Woodroof escarnecendo a Receita Federal e tripudiando dos ditos grupos de risco.  Um dos méritos do roteiro feito pelos praticamente principiantes Craig Borten e Melisa Wallack é o de registrar (com a seca inclinação documental) o estado de rusticidade do texano embalado por Kenny Rogers e conceitos inflexíveis (como a preferência por “morrer de botas”).


Da revolta à supressão de ignorância (na busca por informações acerca da doença), Ron Woodroof empreende uma jornada urdida tanto pela verdade (houve personagem real, morto em 1992) quanto pelo espírito de coletividade, já que reverte a vida por uma causa (contra o poderio de lobbies farmacêuticos e de uma sociedade tacanha, sustentada no isolamento), a exemplo do Harvey Milk eternizado, nas telas, por Sean Penn.

Sob a solidariedade da médica Eve (Jennifer Garner) e apostando numa espécie de pirâmide de financiamento pró-vida (sustentada pelos que rotulavam de “baitolas”), o protagonista terá ampla estrada para se sentir “gente, de novo”. As pazes com a vida brotam da emblemática cena de um mero aperto de mãos. Na bandeira da igualdade, os premiadíssimos Matthew McConaughey e Jared Leto (a “senhorita homem”, como Ron alardeia) brilham, num daqueles breves momentos mágicos do cinema.


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