Brasília-DF,
23/SET/2017

Na mesma estrutura do primeiro longa, Ninfomaníaca 2 parece pouco oxigenado

A sequência do longa não satisfaz a curiosidade das raízes de desacordo entre o socialmente aceito e o comportamento incandescente de Joe

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Ricardo Daehn Publicação:14/03/2014 06:01
Cena de Ninfomaníaca II: histórias pouco ortodoxas do diretor dinamarquês  (California Filmes/Divulgação)
Cena de Ninfomaníaca II: histórias pouco ortodoxas do diretor dinamarquês

Apesar de todos os ataques sofridos nos últimos anos, de uma coisa tem-se certeza: Lars von Trier mantém a coerência. Ignorar a desenvoltura com a qual desembrulha um pacote de temas espinhosos também não seria inteligente. Daí lançá-lo à deificação — talvez, um saldo esperado por quem cutuca o sagrado da Transfiguração (de Cristo), representado em obras como a de Rafael Sanzio — soa a excesso, principalmente, quando se leva em conta o resultado final do díptico, meio instável, de Ninfomaníaca.

Remexendo em conceitos da “Igreja da felicidade” (a católica ortodoxa), opostos ao das penitências (ocidentais), Lars von Trier comunga o ápice do prazer sexual com uma sagrada imagem cristã.

Não demora para o indício de contato entre a protagonista (a perversa Joe) e a Virgem Maria cair por terra: insaciável, Joe — na visão do coprotagonista Seligman (Stellan Skarsgard) — teria muito mais assunto com a depravada Valéria Messalina.

Na mesma estrutura do primeiro longa (de interminável bate-papo entre Joe e Seligman), o segundo volume da fita parece pouco oxigenado, ao mesmo tempo em que não satisfaz a curiosidade das raízes de desacordo entre o socialmente aceito e o comportamento incandescente de Joe, debochadamente, cantada na trilha como “uma garota comum”.

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Entre a tolerância ao amontoado de “idiotice matemática” sustentado por Seligman, em suas conversas recheadas de referências ao “prazer literário”, é a “pária social” Joe quem polemiza: “Que tipo de pessoa é você, Seligman, de verdade?”

Investigar, urge, para que von Trier imprima sua negativa visão de mundo. Joe, aliás, é quem se autoesculacha, se assumindo “inescrupulosa”, mesmo que esteja sugestionada ao máximo do exorcismo, abraçando uma definhada vida sexual, com precauções bizarras para evitar recaídas no prazer.
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