Brasília-DF,
18/DEZ/2017

"Malévola", de Angelina Jolie, explora a origem do mal em conto infantil

Com chifres ameaçadores, maçãs do rosto acentuadas, olhos sobrenaturais e sorriso aterrorizante, a atriz de 38 anos não se poupou a efeitos especiais para se parecer com a Malévola

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France Presse Publicação:28/05/2014 11:50
Malévola é um retorno ao conto clássico para tentar compreender onde nasce a crueldade da bruxa (Disneyt/Divulgação)
Malévola é um retorno ao conto clássico para tentar compreender onde nasce a crueldade da bruxa

Los Angeles
- Malévola, a bruxa que aterrorizou gerações de crianças na animação "A Bela Adormecida" da Disney, retorna encarnada por Angelina Jolie em uma versão mais moderna deste conto que deseja destacar o "lado humano" desta personagem sinistra.

"Malévola", que estreia nesta quinta-feira (29/5), nos cinemas brasileiros, parece uma homenagem à Jolie, a protagonista e produtora do filme, que surpreende com um atuação avassaladora desta bruxa com poderes ilimitados. Com chifres ameaçadores, maçãs do rosto acentuadas, olhos sobrenaturais e sorriso aterrorizante, a atriz de 38 anos não se poupou a efeitos especiais para se parecer com a Malévola criada pelo lendário artista Marc Davis no clássico da Disney de 1959.

"Foi um grande prazer e um desafio gigante ter como referência uma personagem original tão extraordinária, e queríamos ter a certeza de fazer jus à ela", declarou Jolie recentemente durante uma coletiva de imprensa em Paris. "Ela me assustava quando era criança, mas a adorava, me fascinava. Por isso não queria fazer nada que pudesse decepcionar todas as pessoas se impressionaram todos esses anos", confessou.

"Malévola" é tanto um retorno a este conto clássico, apesar de algumas liberdades de interpretação, quanto uma visita ao passado para tentar compreender onde nasce a crueldade desta bruxa. "Acredito ser interessante usar as histórias que conhecemos para tentar resolver questões de maior amplitude e profundidade", explicou a atriz. "Malévola continua sendo má, mas passamos a entender um pouco mais sobre ela" com este filme.

"O objetivo era não só reviver a história ou distrair as crianças", afirmou. "O objetivo era tentar entender mais profundamente por que uma pessoa como ela é, sem julgá-la apenas pelo que parece".

A busca do amor incondicional

Robert Stromber, que estreia como diretor após sua brilhante carreira na direção artística, vencendo dois Oscares por "Avatar" e "Alice no país das maravilhas", declarou que teria se incomodado se tivesse feito um filme apenas sobre "uma bruxa má".

"Acredito que queríamos transformar esta personagem mais humana em certos aspectos", ressaltou em entrevista à AFP. "Para mim, as questões interessantes eram 'por que é tão má?' e 'de onde vem Malévola?'".

Os responsáveis pelo filme estavam cientes de que as liberdades que foram tomadas poderiam ser mal interpretadas, por isso deixaram claro que era necessário reproduzir o mundo de referências estéticas e históricas do clássico da Disney.

É por isso que a cena da maldição da princesa Aurora (Elle Fanning) durante seu batismo, em que Malévola condena a menina ao sono eterno, foi magistralmente conduzida com base nesta passagem do filme de 1959.

"Precisávamos ter aquela cena do batismo, é o episódio central do filme. E precisávamos que esta cena funcionasse", disse Stromberg. "É o momento icônico do filme, em que reconhecemos o caráter do clássico da Disney que todos nós conhecemos e amamos. Filmamos, palavra por palavra, como no desenho animado. Foi uma decisão de Angelina".

O ator Brenton Thwaites interpreta o príncipe Philip, enquanto o sul-africano Sharlto Coplay ("Distrito 9" e "Elysium") é o cruel rei Stefan. Mas a interpretação de Jolie ofusca os outros personagens.

"O filme realmente toca o coração do que é o verdadeiro e incondicional amor", declarou à AFP Coplay. "É interessante porque levanta questões sobre o lugar dos homens na sociedade". "O personagem de Stefan é uma espécie de advertência para certos tipos de comportamento masculino, uma mistura de dominação, ambição e amor. Evidentemente (este comportamento) não é exclusivo aos homens, mas pertence globalmente à sociedade masculina", concluiu.

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