Brasília-DF,
16/DEZ/2017

Daniel Radcliffe interpreta poeta com inclinações homossexuais em filme

Longa 'Versos de um crime' esbanja bons efeitos, músicas e excelente elenco

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Ricardo Daehn Publicação:13/06/2014 06:00Atualização:13/06/2014 13:03

Cena do filme Versos de um Crime (Paris Filmes/Divulgação)
Cena do filme Versos de um Crime
"O mundo está em brasas", decreta um professor da Universidade de Columbia, diante das convulsões da Segunda Guerra, em 1943. Nem tão atentos, os pupilos da classe fazem os rebeldes alunos de Sociedade dos poetas mortos parecerem amadores.

 

Atrás de maior vivência, num filme calibrado com excelentes músicas (há de Lili Marlene a Gimme some skin, my friend, passando por On the sunny side of the street), Allen Ginsberg, Jack Kerouac e Lucien Carr são representados por meio de anseios sexuais, julgamentos sociais e frustrações amorosas. Irrompe neles, como declara William Burroughs, a "decadência de padrões morais" proveniente do contato com as drogas.


Sedenta de novos ritmos e de inspiração de autores românticos, a patota quer tudo alterado. Num certo sentido, o longa de estreia de John Krokidas (que concorreu no Festival de Sundance) também persegue quebra de paradigmas - com bons efeitos. Definitivamente, Daniel Radcliffe, na pele de Ginsberg, se liberta do fantasma de Harry Potter, ao se arquear para provações homossexuais. Já Michael C. Hall torna passado a imagem de Dexter, com um quê do impecável Philip Seymour Hoffman, ao dar vida a David Kammerer, uma espécie de mentor do jovem Lucien Carr (papel do talentoso Dane DeHaan, saído da segunda parte do novo Homem-Aranha).

Movimento beatnik

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Num clima de descobertas, com ousadas incursões na biblioteca acadêmica para estabelecer "o novo olhar", os rapazotes dispersam as sementes do que viria a culminar no chamado movimento beatnik. A quebra de regras e as doses de disciplina aleatória e hedonista desembocam em alargamento de uma vida talhada também por punições. "O círculo libertino terminou", chega a constatar Burroughs (o convincente Ben Foster, de Alpha dog e O mensageiro). É tarde, porém, e há tragédia em curso. Um crime deixa patente o peso de conceitos morais que atrelam violência à "legítima defesa de honra".


Cacoete sistemático na narrativa assinada por John Krokidas - o efeito de viradas bruscas, a partir da ótica de cada personagem, pouco acrescenta à fita, ao imprimir maior velocidade no relato de "anjos da guarda" que cuidavam tanto de si quanto de pavimentar maior originalidade para a literatura norte-americana. Com camadas de versões para os movimentos de asas desses guardiões, a verdade - poeticamente encampada pelo cineasta - abraça duras verdades que remontam a farsas (no processo criativo de alguns personagens), limitações e até a incapacidade de amar ("Ele (Carr) precisa da gente, mas nunca nos quer", chega a sentenciar Kammerer). Um casamento perfeito para a inconstância de Carr, o paquerador que joga ao vento (leia-se Ginsberg): "Adoro os complicados".

 

Confira o trailer:

 

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