Brasília-DF,
27/MAI/2017

Abusando de piadas, filme com Seth Rogen e Zac Efron oferece diversão rasa

O longa-metragem Vizinhos estreou nesta quinta-feira e abusa de brincadeiras de gosto duvidoso

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Ricardo Daehn Publicação:20/06/2014 06:00Atualização:19/06/2014 14:33
 (Universal Pictures/Divulgação)

O humor é daqueles bastante barulhentos em Vizinhos. Nem tanto pelo enredo — em que um casal de pais de primeira viagem se vê incomodado pela presença dos mais novos e ruidosos vizinhos. O que causa estrondo é o teor das piadas do diretor Nicholas Stoller (O pior trabalho do mundo e Cinco anos de noivado) que anula a morada do politicamente correto. “Podemos nos matar”, diz, por exemplo, o entediado Mac (Seth Rogen) para a mulher, diante do inesperado convite de visita à casa do chefe.

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É bom alertar sobre a inadequação do personagem, adepto da maconha no ambiente de trabalho e de uma relutância na “perda do humor”, com o nascimento da filha. Num impulso sexual, ele é capaz de chamar a mulher lactante de “vadia” (em pleno sexo presenciado pelo bebê da casa) e, no dia a dia, Mac se equipara à imaturidade dos novos vizinhos que estão na faixa dos 20 anos. A todo o custo, ele e a mulher dele, Kelly (Rose Byrne, de Os estagiários), se desvestem da carapuça de “coroas patéticos”. Querem parecer modernos, de qualquer forma, e contemporizar com os vizinhos, instalados em forma de república e agrupados, sob princípios de fraternidade denominada Delta Psi (em que “amigos estão acima das mulheres”).

O tempo de mudanças no bairro de Mac desperta o melhor do nonsense no roteiro de Andrew J. Cohen (produtor de O virgem de 40 anos) e de Brendan O’Brien (coprodutor de Tá rindo do quê?). Ambos desconhecem limites e pregam uma diversão rasteira que acolhe de monumentais bravatas ao uso de “cogumelos mágicos”, passando por duelo de urina. Hilária é a cena da “primeira rave da neném”, na qual os exaustos pais abrem mão da diversão noturna.

Na gaiatice, cabe aos amigos do casal (interpretados por Ike Barinholtz e Carla Gallo) o pensamento de que ter um bebê resolverá todos os problemas deles. Grotescas são as cenas em que o líder dos vizinhos (Zac Efron, no papel abjeto de Teddy) compara um bebê “muito dado” como a mãe e a sequência na qual Mac “ordenha” a mulher, concluindo em gracejos como “E a mamãe foi para o brejo”.

Apesar de raso no recado, o filme explora o senso de competitividade que impera na sociedade atual. Trotes humilhantes (que dão o tom nos meios acadêmicos americanos) e a facilidade do humor físico, no contraste entre os corpos (e sensualidade) dos dois protagonistas — um gordo e o outro, sarado —, trazem a breve mensagem dos excessos de hoje. Fazendo par com a dupla central, Dave Franco (o irmão de James Franco) é outro achado como o estudante babacão. Numa ótima cena, Mac e Kelly não se conformam com a falta de coerência dos jovens que forçam referências cinematográficas ao ídolo Robert DeNiro. Só para rir, e nada mais.

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