Brasília-DF,
18/DEZ/2017

Documentário sobre Sérgio Bernardes estreia nos cinemas; confira o trailer

O registro de empreitadas alucinantes - como o período de projeção de quase uma casa por dia - e de excentricidades

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Ricardo Daehn Publicação:27/06/2014 06:10Atualização:27/06/2014 08:57
Sergio Bernardes tem a vida e a obra revistas em documentário
 (SW Bernardes Produções/Divulgação )
Sergio Bernardes tem a vida e a obra revistas em documentário
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O “saber como” (famoso know-how) substituído pelo “saber por que” está entre as pencas de inquietações do arquiteto e urbanista carioca Sergio Bernardes, que morreu em 2002. Por sorte ou por estratégia de cálculo, ele, que, segundo um dos entrevistados do documentário assinado por Paulo de Barros e Gustavo Gama Rodrigues, parecia um imperador romano, dado o magnetismo, se perpetua, pelo ecoar de princípios futuristas. “Totalmente livre”, o mestre dava lastro para extravagâncias de clientes que, por exemplo, queriam guardar um automóvel de estimação dentro de casa ou mesmo levantava algo como o Pavilhão de São Cristóvão — e seus 30 mil metros quadrados — sem nenhum apoio.

O filme mostra a extensão de uma obra que ultrapassa a mera construção de casas para a elite dos anos 1950. O registro de empreitadas alucinantes — como o período de projeção de quase uma casa por dia — e de excentricidades, como a seleção de estagiários pela qualidade de cafunés, podem dar um colorido ao filme. Mas é pelo viés de gênio meio abandonado que a essência do moderno pensador se afirma. Projetos dele cancelados podem igualmente vir à tona, mas a grandeza de escala de um tipo apto a “fazer a sua própria revisão conceitual” é que encanta.



“Inconsequente” e “beirando a irresponsabilidade”, a figura de Bernardes é capaz de envolver a plateia. Defensor da injeção de “poesia” nas obras, ele concebeu edificações integradas à natureza e zelou pela “não presença” das projeções nada narcisistas de sua prancheta. Avanços tecnológicos de seu labor contaminam o filme, com questionamentos da vida pessoal e dos enlaces com quê político de Bernardes.

Entretanto, o que salta aos olhos, em meio a múltiplos desafios do arquiteto, é seu desprezo pelo rótulo de “maldito”. Arregaçando as mangas, Sergio se comprometeu, sem esteio garantido, com o “trabalho para anônimos” e abraçou com gana a quebra de padrões. Só isso já valeria toda a complexa jornada captada no filme.

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