Brasília-DF,
27/JUL/2017

Filme musical de Clint Eastwood tem enredo fixo em tom meloso

O longa opta por deixar a acinzentada trajetória corriqueira do velho diretor-caubói de lado

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Ricardo Daehn Publicação:01/07/2014 10:21Atualização:01/07/2014 10:44
O quarteto The Four Seasons ganha longa em que o roteiro é o destaque
 (Warner/Divulgação)
O quarteto The Four Seasons ganha longa em que o roteiro é o destaque

Os mais jovens talvez tenham dificuldade em identificar o protagonista do mais recente filme de Clint Eastwood, a partir do nome Frankie Valli (interpretado por John Lloyd Young, não por acaso, ator de Glee, seriado com o qual o filme dialoga). É pelo olhar de um oitentão que o espectador toma contato com a vida do homem que eternizou sucessos como My eyes adored you e Can’t take my eyes off you. A bem da verdade, Valli é central numa intenção de lançar luz sobre o berço de seu talento desenvolvido no quarteto The Four Seasons. Entre intempéries, ele triunfou ao lado do debochado Tommy DeVito (Vincent Piazza, de Boadwalk empire), de Bob Gaudio (compositor interpretado por Eric Bergen) e do pacato Nick (Michael Lomenda).

Um dos pontos altos da produção está no roteiro assinado por Marshall Brickman (um dos raros colaboradores de Woody Allen) e que acolhe muita ironia nas falas de DeVito. Além de “demônio” (nas palavras da mãe de Frankie), ele é o cara que ensina o amigo a categorizar as mulheres e dá lições de que “casamento não é amor”.



Eastwood — bem afastado da densidade dramática esperada — prefere o registro de vidas torneadas no impulso, nos excessos e em arrependimentos. Enrolado até com amante, Valli (habitante do “espaço sideral”, na avaliação da mulher) ouve da própria filial a vontade expressa de descer do “carrossel, por não ter mais graça”.

O longa opta por deixar a acinzentada trajetória corriqueira do velho diretor-caubói de lado. Além de mostrar as desavenças entre os integrantes do grupo e apresentar o agente Bob Crewe (afetado ao ponto de dar inveja no “teatral” pianista Liberace), o enredo fixa tom meloso e decepciona com final de gosto bem duvidoso. O diretor tira, com classe, a poeira da jukebox (que toca sucessos do quarteto como Sherry e Walk like a man), mas o saudosismo pende é para a fase romântica do cantor de Grease (1978), nem tão representada.

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