Brasília-DF,
23/JUL/2017

Birdman abre discussão sobre a fama em roteiro que flerta com metalinguagem

O filme trabalha uma espécie de reflexão sobre o vazio da indústria cinematográfica

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Yale Gontijo Publicação:30/01/2015 07:00Atualização:29/01/2015 12:45
A reflexão do protagonista, interpretado por Michael Keaton, tem início no camarim de um teatro (Fox Films/divulgação)
A reflexão do protagonista, interpretado por Michael Keaton, tem início no camarim de um teatro

Em dado momento da projeção de Birdman (ou a inesperada virtude da ignorância), o protagonista levanta uma questão não muito filosófica sobre a fama enquanto se esconde dentro das quatro paredes de um camarim malcheiroso na Broadway. “Uma vez peguei o mesmo avião que George Clooney e tudo que conseguia pensar era que, se a aeronave caísse, todas as notícias seriam sobre ele e nada sobre mim. Você sabia que Faye Dunaway morreu no mesmo dia que Michael Jackson e ninguém deu a mínima?”

Entre os delírios de grandeza do passado e a direção de uma pretensiosa montagem teatral está Riggan Thomas (Michael Keaton), ex-astro de uma trilogia de fitas de super-herói dos anos 1990, tentando provar seu valor artístico nos palcos da cena teatral de Nova York.

Neste filme estranhíssimo para o circuito comercial desenha-se uma espécie de reflexão sobre o vazio da indústria cinematográfica, ou, pelo menos, da parte apoiada por descargas de adrenalina e do declínio da importância e dos valores da arte considerada “intelectualizada”.



Dirigida pelo mexicano Alejandro González Iñarritu, a película é formada por traquitanas e malabarismos de câmera em quase todas as cenas feitas em longos planos-sequências (sem cortes). Com essa estética e esse tema, Iñarritu — ele mesmo um diretor mainstream — tenta provocar um sacolejo na indústria do cinema de Hollywood, usando toques de humor negro e paranoia artística pós-contemporânea.

A decisão de filmar assim exigiu do elenco uma atuação com processo teatral. Talvez seja essa depuração a causa do bom desempenho de Michael Keaton (na vida real, um ator menosprezado por seus filmes blockbusters e comédias românticas insossas), Emma Stone (a filha drogada de Riggan) e Edward Norton (no papel de um sério ator de teatro) . Os três estão concorrendo ao Oscar.

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