Brasília-DF,
28/JUL/2017

Dakota Johnson e Jamie Dornan não convencem em Cinquenta tons de cinza

Versão cinematográfica para best-seller homônimo tem atores pouco à vontade e diálogos sem inspiração

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Anna Beatriz Lisbôa - Especial para o Correio Publicação:13/02/2015 06:00

Jamie Dornan não tem química com sua parceira de cena
 (Universal Pictures/Divulgação)
Jamie Dornan não tem química com sua parceira de cena

É preciso reconhecer que a tarefa da diretora inglesa Sam Taylor-Johnson era ingrata. Ao topar assinar a adaptação cinematográfica de Cinquenta tons de cinza — baseado no primeiro livro da famosa trilogia erótica de E. L. James —, ela se responsabilizou por levar para o cinema um produto inspirado em material que, apesar da qualidade questionável, tornou-se um fenômeno literário mundial. Além da expectativa dos fãs, da pressão do estúdio, havia a presença da autora, que, segundo declarações de Taylor-Johnson, mostrou-se tão controladora quanto Christian Grey, protagonista da saga. Impossível imprimir alguma marca com tantas amarras.

Cinquenta tons de cinza transparece as preocupações mercadológicas que guiaram sua produção e é incapaz de transcender as limitações de sua fonte original. A artificialidade vai desde a cenografia, pomposa e folhetinesca, até a linguagem corporal e a troca de diálogos entre os protagonistas Dakota Johnson e Jamie Dornan, que deveriam interpretar personagens profundamente atraídos um pelo outro. No lugar das faíscas, no entanto, sobra a sensação de constrangimento mútuo, com os atores submissos ao diálogo pouco inspirado de E. L. James, infiltrado no roteiro.



Dornan tem o visual certo, mas seu desconforto no papel de príncipe encantado dominador é palpável. Já Johnson não cativa interpretando Anastasia, a típica jovem tímida e inexperiente que estuda literatura inglesa. Nem a experiente Marcia Gay Harden, que faz uma ponta no papel da mãe de Grey, escapa à afetação da prosa de James.

A falta de química entre os protagonistas é especialmente problemática durante as cenas íntimas. O ritualismo tanto no flerte quanto no sexo não deixa espaço para qualquer espontaneidade. O contato físico e a nudez não têm nada de transgressor. Pelo contrário, são filmados com excesso de correção, um cuidado para não chocar ou causar desconforto. O quarto de jogos, com seu vermelho intenso e acessórios de dominação expostos como em uma sala de cirurgia, tem a mesma frieza e impessoalidade do gélido escritório de Grey.

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