Brasília-DF,
18/DEZ/2017

Longa nacional Branco sai, preto fica narra futuro retrô e crítico

A produção se passa no território do Distrito Federal

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Ricardo Daehn Publicação:20/03/2015 06:11

Cena do filme Branco sai, preto fica: discussão de temas sociais
 (Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
Cena do filme Branco sai, preto fica: discussão de temas sociais
Com a arma da originalidade, no lugar das costumeiras pistolas de raio laser, o diretor Adirley Queirós, no mais recente filme, recondiciona os filmes de ficção científica. Ainda que tenha algo de nostálgico, Branco sai, preto fica surfa numa linguagem divertida que, sem escamotear injustiças sociais, prefere reagir às violências institucionalizadas. Sai a denúncia azeda e ineficiente e entra um documentário amparado por ondas de ficção.

Na trama, uma tenebrosa Polícia do Bem-Estar Social luta por propagar conceitos de elite. Uma gama de reciclagem de valores, porém, está em curso. Numa bem urdida rede de articulados rebeldes, personagens de Ceilândia.

Em cena, estão o atleta paraolímpico Cláudio Irineu (Shokito), Markin, um locutor de rara expressividade (premiado melhor ator no último Festival de Brasília do Cinema Brasileiro) e o DJ Jamaika.

A ponte de subversão proposta pelo grupo, por momentos, preza a graça dos filmes de Afonso Brazza. Uma cultura popular parece brotar e, naturalmente, quer terreno, mesmo no árido clima que parece rechaçar representações periféricas.

É a velha luta entre o estabelecido (a suposta alta cultura) e o despontar de uma arte criada a partir de limitações econômicas. Na vida real, com locomoção dificultada, os próprios atores são emblema de superação e da tomada de rédeas da produção cultural.

Contra muitos, se alinham ricos personagens, entre eles, o engraçado agente Dimas Cravalanças (Dilmar Durães) que reclama do arrocho e da pretensa superioridade dos europeus.

Com trilha perfeita (o soul selecionado é dos melhores), Branco sai, preto fica sacramenta a arte de um cinema artesanal: a suor e ferro, reciclado e retorcido, Adirley Queirós forja seu cinema único.

 

Confira o trailer de Branco sai, preto fica:

 

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