Brasília-DF,
23/OUT/2017

Documentário O sal da Terra acompanha a rotina de produção de fotógrafos brasileiros

A obra é codirigida por Wim Wenders

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Ricardo Daehn Publicação:27/03/2015 06:16Atualização:26/03/2015 13:21
 Sebastião Salgado  fotografa índios: olhar sobre o inusitado (Imovision Filmes/Divulgação)
Sebastião Salgado fotografa índios: olhar sobre o inusitado
Na sobreposição de imagens, caso fossem usadas lâminas de transparências para projetores, a composição das obras do fotógrafo Sebastião Salgado se inclinariam para uma fusão entre paraíso e inferno.

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No pleno domínio do jogo de luzes e sombras, na teimosia de chegar aonde a maioria não chega e empenhado na linguagem que dispensa palavras, Salgado se irmana com o codiretor do documentário O sal da Terra, Wim Wenders.

Há momentos, aliás, em que o fotógrafo brasileiro chega ao fim do mundo (tal qual, em filme, o contemporâneo alemão já propôs): sem controle, num trabalho infernal, ele expõe de bebês mortos a dantescos cenários de um vilipendiado Kwait (1991).

Dedicação de anos a fio às dores alheias renderam a Sebastião Salgado o impasse com a adorada profissão, um dos elementos bem orquestrados no filme, que é também dirigido pelo filho do fotógrafo, Juliano Ribeiro Salgado.

A integração de pai e filho, por sinal, é dos momentos mais líricos da fita, em uma viagem rumo ao Oceano Ártico. Simplicidades e solidariedades, experimentadas num terreno campestre ou ermo, na qual conviveu com comunidades mixes (México), zo’é (Brasil), saraguros (Equador) e nenets (Círculo Polar Ártico), parecem imantar, em gigante escala, Salgado.

Uma noção de tempo alterada dá colorido especial para o documentário elaborado na permanente ciência de Sebastião Salgado, de estar se confrontando com uma "espécie terrível" (o homem).

Explica-se: depois da seca no Níger, dos acessos de fome (registrados na região de Sahel e, chocantemente, na Etiópia) e da lida dos sem-terra brasileiros (à época, dotados de "força moral e física", como destacado no longa), ele declarou, sem o devido alarde, a "alma doente".

De modo esperto, o documentário capta sob medida os calos nos olhos adquiridos, temporariamente, pelo mestre. Na brava renovação de Salgado está a chave da reeducação do olhar — capacidade que, de lambuja, chega também ao espectador.

Confira o trailer de O sal da Terra:

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