Brasília-DF,
15/DEZ/2017

Walter Salles lança documentário sobre o cineasta Jia Zhang-ke

Sob olhar de admiração, a história profissional do cineasta chinês é reconstruída

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Publicação:11/09/2015 07:02Atualização:10/09/2015 17:13
Nahima Maciel

O retrato do cotiano está presente nos filmes do chinês Jia Zhang-ke (Primeiro Plano/Divulgação)
O retrato do cotiano está presente nos filmes do chinês Jia Zhang-ke
Jia Zhang-ke, um homem de Fenyang
é um filme para quem gosta de cinema, mas também para compreender o impacto recente das transformações vividas pela China na última década. O documentário de Walter Salles acompanha Jia Zhang-ke, cineasta chinês e diretor de 21 filmes, entre longas e curtas, que cresceu em Fenyang, cidade pobre da província de Shanxi.
 
Pouco conhecido do grande público, Zhang-ke é um dos nomes mais importantes do atual cinema independente da China e Salles o filma com muito afeto e admiração.
 
O cotidiano é uma das matérias primas do chinês, cujos filmes foram proibidos durante muitos anos naquele país. A crítica social não é propriamente um objetivo, embora esteja presente. O olhar de Zhang-ke mira a China contemporânea ancorado em um passado recente para tentar compreender um país que, em menos de uma década, passou de um território rural a uma sociedade altamente industrializada.
Salles acompanha o diretor pelas ruas das cidades nas quais o chinês filmou longas como Plataforma, O mundo e Prazeres desconhecidos, entrevista atores, visita a família e as casas da infância e consegue extrair momentos tocantes. 
 
Antes de O mundo (2004), cópias de três filmes de Zhang-ke proibidos circulavam entre cinéfilos. O diretor revela, desolado, como precisou exibir um filme em um café em condições “execráveis”, com luz do dia entrando pelas janelas e água da chuva escorrendo do teto. “Por que meus filmes não podem passar no cinema?”, questiona. 
 
No momento mais comovente, o diretor recorda a preocupação do pai com o conteúdo de seus filmes e lembra como a família foi afetada pela Revolução Cultural. Também há revelações importantes para compreender a persistência de Zhang-ke atrás das câmeras (recentemente, ele foi impedido de filmar) e as preocupações narrativas que o motivam.
 
“Fico desesperado quando a filmagem flui com tranquilidade”, confessa o diretor, que desconfia ter perdido a intuição e não ter percebido um caminho novo quando fica tranquilo demais. “Duvido realmente de mim.” Para Zhang-ke, o elo entre o filme e a vida é algo importante, e Walter Salles trata de deixar isso claro em um documentário bastante afetivo.
 

 

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