Brasília-DF,
24/SET/2017

Como drama, Pegando fogo é frio e abusa de clichês

Longa estrelado por Bradley Cooper retrata a jornada de um chef para voltar ao topo após anos de ostracismo

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Rebeca Oliveira Publicação:11/12/2015 07:00Atualização:10/12/2015 17:21
Longa estrelado por Bradley Cooper leva discussão da mesa para a sala de cinema (Reprodução/Internet)
Longa estrelado por Bradley Cooper leva discussão da mesa para a sala de cinema

Adam Jones (Bradley Cooper) é um cozinheiro de temperamento explosivo que viveu dias de estrelato. Com uma segurança profissional que beira a arrogância, já foi chef de um dos mais respeitados restaurante de Paris, premiado com duas estrelas Michelin (um dos reconhecimentos máximos do setor). Enquanto abre ostras numa espelunca nos Estados Unidos, Adam planeja a volta ao topo após superar o vício em drogas e em álcool, que destruiu a carreira.
 
 
 
Depois de cumprir período sabático, o chef muda-se para Londres, onde abre um novo restaurante com a ajuda de velhos amigos. O objetivo é conquistar a terceira estrela Michelin, o que o colocaria em uma espécie de Olimpo gourmet. No caminho, o cozinheiro encontra Helene, a jovem sous-chef por quem se apaixona — vivida por uma versão hipster de Sienna Miller. No roteiro, falta espaço para Uma Thurman como
uma crítica gastronômica, e para Emma Thompson, a analista de Adam, que brilham mesmo em papéis secundários.

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A segunda imersão do diretor John Wells (o primeiro foi o longa A 100 passos de um sonho) no universo gastronômico — filão que encontra cada vez mais produtos no mercado do entretenimento — precisa de aquecimento longo e em banho-maria. Certos clichês demonstram que lhe falta fôlego, como a traição infantil ao colega Michel (um convincente Omar Sy).
 
A película, entretanto, tem carisma e alcança quem é íntimo das caçarolas. Há muitos pontos em questão, como tensão entre a haute cuisine e a gastronomia molecular, que, com suas modernas técnicas de cocção, faz com que a cozinha mais se assemelhe a um laboratório asséptico, em vez de um local sagrado, mas onde o caos é bem-vindo, como parte do processo criativo. As frigideiras, dizem os novos chefs, viraram artigos de museu, dando lugar a cocções como o sous-vide, que Adam chama de “camisinha”.
 
O debate entre o fast-food e o slow food também encontra espaço nas telas e evidencia como a cultura alimentar mudou, seja no Velho, seja no Novo Mundo. Questionamentos que deveriam tomar as mesas de todos os comensais, mas que ainda se restringem a profissionais e a curiosos do ramo.


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