Brasília-DF,
23/JUN/2017

'O roubo da taça' volta à década de 1980 para narrar a história sobre a Jules Rimet

O filme ganhou os prêmios Kikito de melhor ator, roteiro, direção e arte e fotografia no Festival de Gramado

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Ricardo Daehn Publicação:09/09/2016 06:15Atualização:09/09/2016 10:30
Em comédia absurda com toques de realidade, a taça Jules Rimet cai nas mãos de bandidos  (Universal/Divulgação)
Em comédia absurda com toques de realidade, a taça Jules Rimet cai nas mãos de bandidos

Com a itália empatada, em termos de títulos da Copa do Mundo, o período abraçado pelo novo filme de Caito Ortiz (um dos diretores da série fdp), O roubo da taça, abarca uma época em que a Alemanha já mordia os calcanhares do Brasil tricampeão. Noutro extremo de risco, o protagonista do filme, Peralta (Paulo Tiefenthaler, num humor aparentado de Tonico Pereira), está ameaçado pela dívida de um milhão de cruzeiros, equivalente a um fusquinha novo. É em meio à precariedade que a história se desenvolve.

No ano de 1983, com o binômio contemporâneo do desemprego e da inflação a galope, “boa parte” do que é mostrado na comédia saiu de fatos. Mesmo com tanta crise, à dada altura da trama, o corretor de seguros Peralta tem o que comemorar, e celebra, não com champanhe, mas com achocolatado despejado dentro de uma taça. Não qualquer uma, mas uma de ouro: a Jules Rimet.
 
 
 
Prêmios

Num misto de Tropa de elite e Trapaça (do nova-iorquino David O. Russell), o diretor Caito Ortiz firma o pé num filme com ampla chance de se comunicar com o público majoritário. Dispõe na trama o adulterado roubo da taça, em tamanho planejamento. 

Não à toa, faturou quatro prêmios Kikito, no recente Festival de Gramado (melhores ator, roteiro, dividido entre Lusa Silvestre e Ortiz, direção de arte e fotografia) —  tudo muito válido.

“Homem que vacila, a mulher passa pra trás” e “É a lei: doou (sangue), pode faltar (ao trabalho)” são algumas das máximas do roteiro tão original quanto os absurdos que cercaram os eventos da vida real.

Dia a dia, em contagem regressiva que segue as pegadas dos ladrões (sim, há ainda Danilo Grangheia defendendo o papel do criminoso Borracha), O roubo da taça expõe bastidores das ações, com direito ao truculento policial feito por Milhem Cortaz (Tropa de elite) descrente da acuidade de um detector de mentiras, por exemplo.
 
Veja os horários em que este filme está passando. 
 
Ao som de Pecado capital, o filme se vale de um Brasil sincrético e habitado por cariocas despachados. Numa participação inspirada, Taís Araújo faz excelente dobradinha com Fábio Marcoff (intérprete de um argentino). Negociando a venda da taça (a ser derretida), ele arrisca a cantada, ao saber do peso da moça: “52 quilos? Não tenho plata para tanto ouro...”

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