Brasília-DF,
25/JUN/2017

'Animais noturnos' aborda o tema da violência com um olhar delicado

Filme dirigido por Tom Ford tem um olhar de quem entende o mundo das mulheres e traz a oposição de dois romances

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Ricardo Daehn Publicação:30/12/2016 06:48Atualização:05/01/2017 16:02
Michael Shannon e Jake Gyllenhall em 'Animais noturnos': trama carregada de dramaticidade (Universal Studios/Divulgação)
Michael Shannon e Jake Gyllenhall em 'Animais noturnos': trama carregada de dramaticidade
 
Um coração pulsa, nas derradeiras batidas. Saber de quem ele é, na trama de Animais noturnos, poderia arruinar o tenso enredo orquestrado pelo diretor texano Tom Ford. Em cenas marcantes, os elementos do cotidiano — como machismo e violência capaz de gerar crânios esfacelados — são misturados ao delicado olhar de um cineasta que entende do mundo das mulheres, como confirma a personagem de Amy Adams, Susan, uma jovem senhora descrente da relação mantida com Hutton (Armie Hammer, de O nascimento de uma nação). Vidas opostas, portanto, compõem o caldo de Animais noturnos, filme premiado no Festival de Veneza.
 
Veja as sessões de Animais noturnos
 
Romancista, o outro amor (no caso, perdido) de Susan atende pelo nome de Edward (Jake Gyllenhaal). Sensível ou “fraco” – como prefere a mãe da protagonista, interpretada por Laura Linney —, o rapaz, que é escritor, tem um plano de vingança de dar arrepios, ocasionado pelo antigo amor que foi sabotado. Tratando de aparências (num esquema próximo ao de Um corpo que cai), Tom Ford vai, pouco a pouco, desfazendo certezas captadas, precipitadamente, pelo público. O roteiro de Ford, adaptado de livro, contempla muito das questões éticas, com ajuste de contas, que embalaram o ótimo Os suspeitos, do canadense Denis Villeneuve.
 
 
 
Entre os temas abordados no filme, pesa um conceito que associa “diversão” ao ato de matar. Quem defende o disparate é o perverso personagem Ray (assustador, no esforço do coadjuvante Aaron Taylor-Johnson), agressivo até a raiz dos cabelos, numa beira de estrada noturna, em que Tony (um personagem criado por Edward) é acuado, ao lado da pequena família dele. Discutindo felicidade, cotidianos estruturados (mas fadados ao cinismo), empatia, justiça e atrocidades, o mesmo diretor de Direito de amar (2009) faz outra fita inesquecível.



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