Brasília-DF,
24/SET/2017

Documentário 'Danado de bom' traça perfil do compostior João Silva

Autor de 'Pagode russo', 'Deixa a tanga voar' é a estrela do diretor Deby Brennand

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Ricardo Daehn Publicação:30/06/2017 06:00Atualização:29/06/2017 14:25
João Silva foi autor de clássicos como Pagode russo (CinePE/Divulgacao)
João Silva foi autor de clássicos como Pagode russo

 
Autor de composições alegres que destrincham pérolas como “dançando pagode russo na boate Cossacou” (em Pagode russo) e as contempladas em Deixa a tanga voar, o pernambucano de Arcoverde João Silva conciliou uma verve fanfarrona com inesperadas pitadas de amargor. “A bebida me prejudicou demais”, entrega, sem maiores pudores, num trecho de Danado de bom, ótimo filme assinado por Deby Brennand.
 
Sob inspirada narração de Siba, o documentário desfila uma invejável carrilhada de músicas de sucesso como Preciso do teu sorriso (com Mariana Aydar), Rodovia Asa Branca e Uma pra mim, outra pra tu, ambas cantadas ao lado de Luiz Gonzaga. 
 
Bonachão e descompromissado, a princípio, João Silva chegou ao Rio de Janeiro, tendo por antessala os corredores da rádio Mayrink Veiga. Não demorou a ser apresentado por Marinês ao Rei do Baião a quem, por força da amizade, ajudou e foi ajudado. Daí, despontaram músicas como Aprendi com o rei (no filme, entoada por Gilberto Gil) e a simplicidade de Crepúsculo sertanejo, entre as mais de 3000 composições assinadas por João Silva.
 
Nem só de lembrança e dados do passado se apoia o filme que presta homenagem ao compositor e músico morto em 2013. Gana e compulsão por criar forró, marchinha, baião e rancheira se acirram, numa declaração em que, num trecho da fita, Silva reencontra a cidade natal, deixada há 48 anos. “Eu vou, até não poder mais”, disse ele, renovado e “com a mala cheia de temas” para mais “uns 20 anos” de produção.
 
 
Com a montagem ágil de Jordana Berg e um grupo iluminado de fotógrafos (todos premiados no CinePE 2016), o filme revela a atualidade das músicas de João Silva, projetadas por verdadeiras entidades de alcance popular do porte de Alcione, Monobloco e Calcinha Preta. Amores não correspondidos, neologismos, uma relativa desilusão de não ter sabido amar e uma pontada de orgulho na matutice fazem do compositor alguém inesquecível. Além disso, o filme recupera boas imagens de figuras vigorosas como Gonzagão (em memorável encontro com Elba Ramalho) e Dominguinhos.  

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