Brasília-DF,
19/NOV/2017

Aki Kaurismäki traça gênero tragicômico em 'O outro lado da esperança'

Premiado em Berlim, 'O outro lado da esperança' trata de temas áridos, como os refugiados, com bom humor

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Vinicius Nader Publicação:10/11/2017 06:00Atualização:09/11/2017 17:23
'O outro lado da esperança' expõe feridas do capitalismo (Reprodução/Internet)
'O outro lado da esperança' expõe feridas do capitalismo
 
 
Comédia pode ser engajada? O finlandês Aki Kaurismäki ganhou o prêmio de melhor direção (Urso de Prata) no último festival de Berlim mostrando, com o longa O outro lado da esperança, que sim. Assuntos áridos — imigração, preconceito, choque cultural — são tratados com o viés tragicômico já visto em outras obras de Kaurismäki, como Luzes da escuridão (2006) e O homem sem passado (2002).
 
 
 
Neste O outro lado da esperança, Wikström (Sakari Kuosmanen) e Khaled (Sherwan Haji) vivem uma curiosa relação de interdependência. Khlaed é um fugitivo da guerra da Síria que, depois de passar por alguns países europeus, encontra abrigo na Finlândia. É aí que entra Wikström. O comerciante emprega o sírio em seu restaurante.
 
 
Mas ser um imigrante ilegal não estava nos planos de Khaled. Ele entra com um pedido oficial de asilo político no país nórdico e, enquanto espera a resposta, leva uma vida de extrema pobreza, da qual é tirada por Wikström. Além das dificuldades financeiras, o choque entre duas culturas tão marcantes é um entrave enfrentado por Khlaeb — e é daí que surgem as passagens cômicas de O outro lado da esperança.
 
O roteiro de  Aki Kaurismäki ainda guarda espaço para uma crítica ácida e bem-humorada ao capitalismo. Até ao emprestar dinheiro ao sírio, o finlandês lhe toma uma parte, justificando que são os impostos. O tratamento dispensado a empregados e o ideal de vale tudo pelo lucro são outros temas abordados com picardia.
 
A crítica internacional rendeu louros, ainda, a dois elementos técnicos do longa: a iluminação — a cena inicial em que Khaleb aparece iluminado como vindo das cinzas foi muito elogiada — e a trilha sonora, com vários tons de folk. O outro lado da esperança mescla drama e comédia num longa que se revela, antes de tudo, otimista.



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