Brasília-DF,
17/JUL/2018

Extraordinário: filme emocionante foi baseado em best-seller sobre bullying

Filme estrelado por Julia Roberts tenta fisgar o espectador pela emoção, mas derrapa no sentimentalismo

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Ricardo Daehn Publicação:08/12/2017 06:00
Família enfrenta o preconceito para que o menino August seja feliz (Lionsgate/Divulgação)
Família enfrenta o preconceito para que o menino August seja feliz
Ecoa com intensidade uma frase de bullying supremo lida pelo protagonista August Pullman (Jacob Tremblay), em Extraordinário: “Faça um favor para todos e morra”. Sem muitas nuances, o filme de Stephen Chbosky — que, há cinco anos, assinou As vantagens de ser invisível — se acomoda num formato direto. Haveria mudança de perspectiva para quem cerca o pequeno August, dono de muitas deformações faciais?

No lugar de sentimentos impactantes, o longa derivado de best-seller assinado por R.J. Palacio causa um punhado de tédio. Enquanto, na tela, o protagonista desvia o olhar das pessoas, olhando para o chão — evitando o sucessivo desconforto de ser observado; o público, no cinema, pode ter a impaciência de não desgrudar os olhos do relógio.
 
 
Muito soa mecânico no filme talhado para emocionar. Na “zona sem pais” (como o pai define a escola), August verá um áspero mundo, maior do que aquele que comporta o capacete que não tira da cabeça para passar incólume aos olhares alheios. Quem emociona é Julia Roberts no equilibrado papel da mãe nada chorosa.

Sofrimento, inocência e sentimentos primários coroam Extraordinário com discurso que preconiza a positividade inerente à gentileza. Parece, por vezes, nada mais do que um adocicado comercial de margarina, mas, por sorte, contamos com o talento estimulante de Noah Jupe, o pequeno e redentor Jack Will que permeia a trama.
 
 

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