Crítica: Filme 'Em busca de Fellini' homenageia o mestre italiano
Filme não tem roteiro consistente e acaba decepcionando os fãs de um dos mestres da sétima arte
Ricardo Daehn
Publicação:08/12/2017 06:00Atualização: 07/12/2017 18:51
Filme leva ar de pornô chic à obra de Fellini
No mix de realidade e ficção que nutriu a criatividade do mestre italiano Federico Fellini (morto em 1993) caberia o aparte de uma homenagem, póstuma, abstrata? Mesmo no caso afirmativo, uma coisa é certa: ao buscar Fellini, na centelha de inspiração do primeiro longa, Em busca de Fellini, o diretor Taron Lexton encontrou o talento de Roberto Benigni (de A vida é bela); no máximo. Quiçá, tenha esbarrado no cinema de Jean-Pierre Jeunet (de O fabuloso destino de Amélie Poulain).
Por vezes, na reverência pelo onírico, o que transparece no longa soa como pesadelo. A lânguida protagonista (a russa Ksenia Solo, desfavorecida pela idade), aos 20 anos, é adepta do naïf ligado ao louvor de unicórnios. Isolada em Ohio (Estados Unidos), com a mãe Claire (Maria Bello), Lucy aprende que a “vida real está nos sonhos”.
Virginal, a moça sentirá, muito aos poucos, os primeiros toques no corpo. Em viagem para a Itália (à caça do idolatrado Fellini), Lucy terá trajetória à la pornô chic.
Na cartilha para que entendam o que não viram (leia-se as fitas de Fellini), o diretor cria paralelos óbvios entre a obra do Farol (um dos apelidos de Fellini); tudo empapado pela bela sonoridade criada por Nino Rota. Cabe o aviso ao espectador de primeira viagem: nem tudo o que seja caótico criva ares de Fellini.