Brasília-DF,
26/ABR/2018

Crítica: Filme sueco 'The square', vencedor em Cannes, chega às telas

Novo filme do sueco Ruben Ostlund é provocativo e questiona arte contemporânea

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Ricardo Daehn Publicação:05/01/2018 06:00Atualização:04/01/2018 14:29
Performance de artista para patrocinadores é ponto alto do filme (Dominic West/Terry Notary)
Performance de artista para patrocinadores é ponto alto do filme
 
Na última leva competitiva do Festival de Cannes, cineastas de belos currículos como Michel Hazanavicius, Sofia Coppola e François Ozon ficaram a ver navios na hora da premiação. Quem despontou  na competição — que alinhava ainda o mestre Michael Haneke —  foi o sueco Ruben Ostlund, dono de um provocativo longa, a postos para arrebatar a Palma de Ouro. Pesou a favor dele o corrosivo debate de The square, recheado com tipos tão excêntricos quanto egocêntricos.

Indicado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e vencedor de seis prêmios num importante circuito de fitas europeias, The square é tudo, menos quadrado. Na fita, o ator dinamarquês Claes Bang dá vida ao esnobe (mas polido) Christian, curador de exposições programadas para um monumental museu.

Cercado por conselheiros inexperientes, o protagonista se afunda numa realidade que faz paralelo com os valores de uma obra de arte que ele tem se empenhado em promover. Sensos de responsabilidade e de noções de direito entram em comunhão na peça de arte, uma espécie de “santuário que delimita um espaço de confiança e de zelo para com o próximo”.

Com o celular recém-roubado e testemunha de pequenos eventos que demarcam a sanha desmedida por individualidade dos outros, Christian não terá muitos motivos para rir. Enquanto se envolve com a amalucada Anne (Elisabeth Moss, de Mad men), o curador vai presenciar (quando não, estimular) episódios em que a arte tateia desconforto e constrangimento para as pessoas.

Enquanto a direção de arte se apresenta impecável em The square, o enredo converge para o primor. Numa das melhores cenas (implícitas), montinhos de terra dispostos por um artista aparecem varridos por um faxineiro. Preste atenção ainda numa frase de fundo disposta num neon que deixa clara a condição de qualquer ser humano: “Você não tem nada”. Verdades que doem.
 
 

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