Brasília-DF,
22/JAN/2018

'120 batimentos por minuto' trata de Aids e homossexualidade

O filme premiado em Cannes tem traços autobiográficos do diretor, Robin Campillo

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Ricardo Daehn Publicação:12/01/2018 06:00Atualização:11/01/2018 17:31
Filme premiado em Cannes tira assuntos como Aids e eutanásia das sombras
 (Imovision/Divulgação)
Filme premiado em Cannes tira assuntos como Aids e eutanásia das sombras
 
 
Aos primeiros sinais da epidemia de Aids, o cineasta Robin Campillo optou por se enclausurar. Mas, pouco a pouco, descobriu pela perda de amigos aquilo que a organização Act Up conseguiu estampar em camisetas de conscientização: “silêncio = morte”. 

Na conjuntura, reagiu e, passados quase 25 anos desde que a doença ganhava tanto carga de indiferença quanto de preconceito, foi ouvido, nas artes, como diretor do premiado longa estrelado por Nahuel Pérez Biscayart e Arnaud Valois, 120 batimentos por minuto.

Biscayart, na trama, vive o impulsivo e compromissado Sean, enquanto Valois é o racional e solidário Nathan (inspirado na própria vida de Campillo). De química explosiva, o romance entre os dois homens pode não ter o final feliz esperado, mas alarga os campos de discussões aos quais 120 batimentos por minuto se dispõe. 

Focalizando uma época em que não havia abertura para debates relacionados ao uso de camisinha e o estímulo ao uso de agulhas descartáveis não fazia parte do dia a dia dos dependentes químicos, o diretor (também reconhecido roteirista dos filmes de Laurent Cantet) comanda um filme pujante na pulsação da denúncia e no reflexo do descaso midiático (à época), dois ingredientes de enorme força.

Vistos como uma “comunidade”, os soropositivos buscam, no enredo, aliança para o esforço de empoderamento limitado, nos anos de 1990, pelos alardes canalizados apenas em jornais e televisões. A capacidade narrativa de Campillo é invejável, uma vez que, com inúmeros personagens — entre os quais o rancoroso Thibault (Antoine Reinartz) e a agitada Sophie (Adèle Haenel) —, ele dá protagonismo a um debate repleto de informação e autenticidade de ambiente.

Representante francês derrotado na disputa por vaga ao Oscar de melhor filme estrangeiro, 120 batimentos por minuto, na verdade, é mais do que vitorioso: inflama, com humor, realismo e, arrebata, tratando de temas duros como eutanásia ou mesmo a luta pela vida.

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