Brasília-DF,
18/OUT/2018

'The post' conta como um jornal começou a investigar a Guerra do Vietnã

Filme de Steven Spielberg traz Meryl Streep e Tom Hanks em interpretações memoráveis

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Ricardo Daehn Publicação:26/01/2018 06:00Atualização:25/01/2018 18:37

Meryl Streep e Tom Hanks dão vida a eficiente roteiro em longa indicado aos Oscars de melhor filme e melhor atriz  (Reprodução/Internet)
Meryl Streep e Tom Hanks dão vida a eficiente roteiro em longa indicado aos Oscars de melhor filme e melhor atriz

De um lado, uma mulher influente, a editora-chefe do jornal The Washington post — que não é dada a pedir permissão, mas goza da inteligência de ouvir conselhos —, e de outro, absolutamente oposto, uma decrépita estrutura de poder governamental, à beira da falência em período crítico da Guerra do Vietnã. Intermediando essas forças, um diretor de cinema experimentado, que sabe dar peso a intrigas e suspense até mesmo a um episódio cujo desfecho já é conhecido por muitos.

 

Contrastando com as festas ofertadas na mansão de Katharine Graham (papel da reluzente Meryl Streep), uma executiva que ainda tateia o jogo de poder inerente ao jornalismo, a carnificina americana em solo vietnamita alimenta a vontade de o espectador ver revelados os documentos ultrassecretos do Pentágono que movem toda a trama de The post, de Steven Spielberg.

 

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O crescimento de um jornal de limitado alcance como o Washington post (à época) rima com o despontar de uma força do jornalismo do porte de Katharine Graham colocada, meio à revelia, em posição decisiva para a empresa jornalística da família, e ainda com um período de restrita expressão para os componentes da chamada opinião pública. No filme, há espaço para teorias sobre o estancamento do fluxo comunista, para o debate da reputação de empresas jornalísticas e ainda para a projeção de avanços feministas.

 

O exímio roteiro de Liz Hannah e de Josh Singer (produtor do premiado Spotlight) detalha muitos dos aspectos em jogo na criação de uma reportagem arrojada. Spielberg expõe documentos que apontaram para eleições manipuladas e criaram cenário que encobria a humilhação de uma derrota bélica para os Estados Unidos. Manipulação de dados e uma conjuntura desfavorável para cabeças pensantes estão contemplados no roteiro. Voz da razão, em boa parte da trama de The post brota do personagem de Tom Hanks, intérprete do editor Ben Bradlee.

 

  

 

Numa cena tensa, Ben tenta, com a reduzida equipe, interpretar quatro mil páginas de dados rudimentares — tudo em oito horas, numa eficiência que suplantaria os três meses de investigações jornalísticas feitas pela concorrência (leia-se The New York Times). Às vésperas do escândalo do Watergate, o filme de Spielberg trata de responsabilidade e de um jornalismo compromissado a se afirmar como “o primeiro rascunho da história”.

 

Indicado ao Oscar de melhor filme, The post tem duas cenas antológicas: o embate “amigável” entre o Secretário de Defesa Robert McNamara (Bruce Greenwood) e a personagem de Streep e ainda a tensão interna de uma mulher, como a única presente na sala de reuniões de grandes figurões. Tudo sublinhado pelo talento do cineasta que bem decalca a espionagem, como confirmam longas como Munique (2005) e Ponte dos espiões (2015).

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