Brasília-DF,
20/ABR/2018

Confira a crítica do filme 'A repartição do tempo', com Dedé Santana

Comédia de Santiago Dellape leva bom humor para um cenário de ficção científica

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Ricardo Daehn Publicação:02/02/2018 06:02Atualização:01/02/2018 18:07
Os funcionários do Repi não querem o fim das mordomias do emprego público (Reprodução/Internet)
Os funcionários do Repi não querem o fim das mordomias do emprego público
 
Entre ações protocolares do dia a dia no serviço público e festanças no meio do expediente, os personagens de A repartição do tempo, mais recente longa assinado pelo cineasta candango Santiago Dellape, extrapolam a formatação de tipos convencionais. Comprovam, aos poucos, que variações de um mesmo indivíduo podem coexistir — e mais: são duplicados, como se fossem experimentos aos moldes da ovelha Dolly. Nessa trama retrô, dotada de teor de ficção científica, fica fácil embarcar na onda do humor leve, sem maiores pretensões ou qualidades cerebrais.

Atuantes na repartição do Repi (órgão chamado de Registro de Patentes e Invenções), os protagonistas do enredo coletivo têm um algoz em comum: Lisboa, radical defensor dos interesses do governo. Lisboa (numa interpretação coerente de Eucir de Souza) prega o fim de vantagens para terceirizados e concursados, aos brados de “ninguém é intocável”. Na linha de choque, o protagonista quer barrar a ineficiência e a morosidade do cotidiano de seus funcionários.

O choque de gestão que reprime a mamata na “teta do Estado” vem celebrado por festejos em pleno expediente com cidra e uísque barato. O delírio é fruto do uso de uma máquina do tempo que tem protótipo sugerido por Dr. Brasil (Tonico Pereira). Com ela, os funcionários de Lisboa correm risco, uma vez que há um plano maquiavélico orquestrado pelo homem que quer coibir a “esquerdopatia” que financia regalias irrestritas para parte da população. Numa interpretação destacada, André Deca dá vida ao inconformado Zé, que alerta os colegas: “Quem tem chefe é índio!”.

Com piadas engraçadas em torno dos sistemas de teleatendimento de ocorrências ligadas a trabalho e polícia, o filme ainda imprime troça, subliminar, com os olhos claros da elite representada pelos personagens de Selma Egrei e de Eucir de Souza.
 
 
 

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