Brasília-DF,
16/OUT/2018

Crítica: 'Trama fantasma' impressiona pela direção e pela trilha sonora

O filme é estrelado por Daniel Day-Lewis, filme de Paul Thomas Anderson

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Ricardo Daehn Publicação:23/02/2018 06:00Atualização:22/02/2018 18:14

O estilista Reynolds Woodcock veste mulheres, que se sentem poderosas com as roupas dele (Laurie Sparham/Focus Features)
O estilista Reynolds Woodcock veste mulheres, que se sentem poderosas com as roupas dele

 

O mais novo longa de Paul Thomas Anderson, Trama fantasma, vem puxado por uma trilha sonora excelente — há de Debussy a Schubert, passando por criações de Jonny Greenwoode, pela magnífica composição My foolish heart, que embalou o clássico Meu maior amor.

 

O desencanto com a vida de casal, no sofisticado e elegante painel apresentado por Anderson, vem do protagonista Reynolds Woodcock, que pode ser o último personagem de Daniel Day-Lewis nos cinemas, já que o ator anunciou — mais uma vez — a aposentadoria. Em Trama fantasma, ele é um criador do mundo da moda que trata os vestidos como graciosas armaduras à disposição das clientes que se fortalecem com roupas e galanteios.

 

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Trama fantasma, ambientado na Inglaterra dos anos 1950, confirma a capacidade de direção de atores sempre presente nas obras de Paul Thomas Anderson (selecionado para uma das cinco vagas de melhores cineastas, no Oscar). 

 

Nascida em Luxemburgo, a atriz Vicky Krieps dá vida a Alma, numa caracterização que promete revitalizar e, ao mesmo tempo, virar de ponta-cabeça o organizado mundo de Reynolds.

 

No outro extremo está a diligente irmã dele, Cyril (Lesley Manville, que reclama a grandeza de uma Deborah Kerr), sempre pronta para alinhavar os rituais do estilista, constantemente focado no trabalho. Cyril, em parte, supre a mãe ausente do clã Woodcock.

 

À base de paz e estagnação na vida amorosa, o estilista se mantém esperançoso, mas não necessariamente com o futuro, uma vez que cultiva a tese de que há conforto (na presença indireta) das pessoas mortas, tidas por espécie de guardiãs.

 

Ainda que esteja candidato a seis prêmios no Oscar, vale o reforço no aviso de que não se trata de filme para todos os gostos. Como em Embriagado de amor e Sangue negro, Anderson confronta dados racionais e emocionais, na representação do amor.

 

Descoordenando o idealizado dia a dia de Reynolds, Alma ganha uma intensidade absurda, mesmo em gestos corriqueiros — da estridente presença à mesa, no café da manhã, até o desfecho imprevisível do filme.

 
Confira o trailer de Trama fantasma:

 

 


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